Moradora de São Vicente com febre amarela achou que ia morrer, conta

Secretaria de Saúde do Município confirmou que confeiteira de 53 anos contraiu a doença em MG, durante as comemorações de fim de ano

17/02/2018 - 14:00 - Atualizado em 17/02/2018 - 14:00

Moradora de SV, Maria Cristina teve febre amarela confirmada pela Prefeitura (Foto: Irandy Ribas/AT)

"Foi uma maldição que virou bênção". É assim que a confeiteira Maria Cristina Zanetti, de 53 anos, define a luta contra a febre amarela e o aprendizado que teve com a doença, confirmada nessa sexta-feira (16) pela Secretaria de Saúde de São Vicente. Ela admitiu, em entrevista a A Tribuna On-line, que pensava que iria morrer e ressaltou a importância da vacina.

Moradora do Centro de São Vicente, Maria Cristina viajou em 22 de dezembro do ano passado para Nova Lima (MG), onde passou o Natal e o Ano-Novo com familiares na casa da irmã, em um condomínio fechado cercado de mato.

Naquela cidade mineira, foram registrados 17 casos de febre amarela, dos quais seis evoluíram para óbito, desde julho de 2017, segundo o último balanço da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais.

"Eu estava por fora desse negócio de febre amarela", admite a confeiteira. "Só soube disso quando cheguei lá, mas também nem me preocupei".


Sintomas

Passados os festejos, Maria Cristina começou a se sentir mal. Ela voltou para São Vicente em 7 de janeiro e, no dia 8, começou a ter os sintomas. "Eu tive calafrio, febre, fadiga muscular nos braços e nas pernas, dor nas costas, vômito e diarreia líquida".

Ela esteve no Hospital Municipal (antigo Crei) e duas vezes na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central de Santos até que, no terceiro atendimento no posto santista, no dia 14, a situação piorou.

"Eu já estava com a pele amarela, urina com cor de Coca-Cola, anemia profunda e hepatite aguda", conta. "Mesmo assim eu não queria internar. Se era para morrer, melhor em casa".

Transferida para a Santa Casa de Santos, Maria Cristina começou a ser tratada. "Eu tinha preconceito sobre o SUS, mas se não fosse a Santa Casa eu não estaria viva".

Ela passou por uma bateria de exames que, pouco a pouco, descartaram outras doenças, deixando mais claro o diagnóstico de febre amarela.

A confeiteira recebeu alta do hospital em 26 de janeiro, recuperada e com a recomendação de evitar frituras e leite para poupar o fígado, órgão que é atacado pelo vírus da febre amarela. "Hoje eu estou muito feliz, mas eu pensava que iria morrer. Todo mundo pensava".

Maria Cristina voltou para casa com a certeza da importância da proteção e agradecida pela vida. "Eu fui para o hospital de boba, porque não tinha tomado vacina. Tem que se prevenir, eu podia não ter sobrevivido".

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