Modernos, pais procuram estar cada vez mais presentes na vida dos filhos

10/08/2014 - 08:09 - Atualizado em 10/08/2014 - 08:09

Seja o filho de primeira, segunda ou terceira viagem, o sonho de todo homem é ser um bom pai. E, neste domingo, comemora-se o dia dele, figura que serve de espelho no desenvolvimento da criança.

Antigamente visto mais como provedor, seu papel vem mudando de tempos em tempos. Ele está mais presente na vida dos filhos, participando e dividindo funções que antes eram atribuídas apenas às mães.

“A figura paterna mudou muito nos últimos anos. Está mais cuidadoso, afetivo, ajuda com organização interna, imposição de limites, com diálogo. Antes havia aquele perfil de ser o responsável pela comida, pagamento de aluguel e outras contas. Hoje, ele também exerce o papel que era só da mulher”, explica a psicóloga Maria Izabel Calil Stamato, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Católica de Santos (UniSantos).

Ela afirma que essa mudança de paradigma passa por várias questões, inclusive na hora da escolha profissional. “Um bom pai, moderno, não vai obrigar o filho a seguir carreira que ele (pai) deseja e, sim, vai ajudá-lo a escolher uma profissão”.

No cotidiano


A coach Bibianna Teodori entende que os homens aprendem no dia a dia a ser pai. “A mulher amadurece o fato de ser mãe quando crianças brincam com bonecas, por exemplo. O homem não. Por isso, ele vai aprendendo com o cotidiano”.

Esse desenvolvimento é fundamental, pois de acordo com a coach, a competitividade no mercado de trabalho e nos negócios tende a afastar as pessoas de outros papéis importantes, como o de pai, pois são consumidas por essas pressões externas.


Assim, diante de problemas corriqueiros no dia a dia, o discernimento é de extrema importância para resgatar o equilíbrio perdido, explica Bibianna. “Priorizar necessidades, planejar ações e ter consciência real de nossa autonomia de tempo é fundamental para atuar bem nas duas áreas da vida”.

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O advogado Luís Fernando Pestana com os filhos Guilherme e Giovana

Além disso, a especialista se baseia em uma pesquisa para mostrar que o cotidiano pode afastar as partes. “Já está provado que o pai fica, em média, dez horas por dia fora de casa. Por isso, ele tem que aproveitar esse tempo que sobra de forma qualitativa, praticando esportes com os pequenos, contando histórias, presente nas tarefas de casa ou escolares”.

Ambas concordam ainda que, quanto mais próximo o pai estiver, maiores são as chances de seus filhos não se envolverem com drogas. “Sem dúvida, há uma menor tendência de que o jovem tenha este tipo de problema”, afirma Bibbiana. “Quanto mais atuante for, aumentam as chances dele perceber um problema na vida do filho relacionado a este tema”, complementa Stamato.

Saudades e felicidade

O advogado Luis Fernando Pestana diz não saber como consegue ficar longe de seus filhos (uma menina de 2 anos e 9 meses e um menino de 9 meses) quando viaja a trabalho. “Todo mês fico quase uma semana fora  e, cada vez que isso acontece, é mais difícil. Pela noite, olho fotos deles no celular. Programo minha mente para esquecer um pouco, mas é muito difícil. Jamais imaginei que teria essa ligação”.

Ele se considera um pai moderno e afirma que todo dia aprende algo com as crianças. “Não sabia brincar de menina, mas ela me ensina. Brinco de casinha, fazer bolo, café, teatrinho. Estou sempre ao lado deles, desde o nascimento. Ajudei ao máximo a fazer mamadeira, dar banho. Participo ativamente da vida dos dois”.

O vendedor Wilson Damasceno Gonçalves Colen, 63 anos, tem cinco filhos (um adotado) com três mulheres diferentes. O mais velho é fruto de uma relação com uma antiga namorada, os intermediários com a ex-mulher e a caçula com a atual esposa. “Todos vivem em harmonia e se consideram irmãos”.

Ele explica que procurou educá-los da melhor forma possível e continua presente em suas vidas. “Sou um pai atuante e, ao mesmo tempo, dou a liberdade que querem. Procuro ainda colocar o que é certo e errado, mostro que trabalhando se consegue aquilo que deseja. Todos trabalham no que querem e são felizes. Isso é o mais importante. A felicidade deles é a minha”. 

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Willson, com quatro dos cinco filhos: ''A felicidade deles é a minha''

 


Dicas importantes



Seja o mais próximo possível de seu filho

Seja afetivo

Conheça seu filho a fundo. Saiba sua cor preferida, o que acontece na escola, sua comida predileta.

Seja tolerante e ao mesmo tempo coloque limites

Abra diálogo

Pratique atividades em conjunto

Brinque com a criança

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