Modelo conta sua luta contra o câncer no Instagram

Nara Almeida, de 24 anos, comoveu a internet com a sua história sobre a doença

25/11/2017 - 09:36 - Atualizado em 25/11/2017 - 12:49

No Instagram, Nara Almeida conta o seu dia a dia (Foto: Rogério Soares/AT)

Arroz, feijão, ovo e a saúde de volta. Parece simples, mas é com isso que a modelo e influenciadora digital Nara Almeida, de 24 anos, sonha quase todos os dias. Ela também trocaria o corpo perfeito e hoje extremamente magro devido ao câncer no estômago por algumas gordurinhas. Enfim, daria tudo pra estar bem, sem dores, comendo, trabalhando e sendo feliz ao lado do namorado Pedro Rocha, de 25 anos, seu anjo da guarda.

Fato é que os últimos meses não têm sido fáceis para essa menina nascida em Imperatriz, interior do Maranhão, que desde muito cedo aprendeu a se virar sozinha e correr atrás do que queria.

Foi isso que a trouxe para São Paulo, em novembro do ano passado, apenas para um trabalho. Nesta época, morava em Goiânia. Porém, quis abraçar outras oportunidades e acabou ficando. 

Dores

Nara já tinha dores, mas nunca havia dado muita bola. Tomava um remedinho ou outro e ia à luta. Na verdade, ela confessa que há uns três anos sentia um incômodo no estômago, só que não tinha noção do que era. 

“No começo, achei que era gastrite. Em março, procurei um médico e ele disse que era úlcera. Fiz tratamento mas as dores não passavam. Aí comecei a perder muito peso, a ficar muito mal e no final de julho fui parar no hospital. Foi quando descobri que era câncer ”. 

De lá pra cá, Nara já passou por três tratamentos de quimioterapia. “Só que meu corpo não reagiu da forma esperada e a gente teve de cancelar”. Agora, confirmada a metástase no peritônio. ela passará por um novo protocolo, previsto para começar na segunda-feira (27). Serão mais sessões de químio para que o tumor diminua e, assim, possa ser operado.

A jovem conta também com amor e companhia da cachorrinha Lili Hope (Foto: Rogério Soares/AT) 

‘Famosinha’

O que fez o caso de Nara tornar-se conhecido de muita gente, inclusive de famosos, foi o fato de ela usar o Instagram pra contar tudo que acontece no seu dia a dia. “Eu sempre fui famosinha no Instagram. Sempre falei das coisas que fazia e costumava comentar quando não tava me sentindo bem. Dava uma satisfação para os meus seguidores. E quando descobri a doença não foi diferente”.

Nara conta que um dos motivos para fazer isso foi alertar as pessoas. “Quando a gente é jovem acha que é imortal, que nada vai acontecer. Eu quis dividir o que estava acontecendo com o público. E aí foi chegando gente”. 

Hoje ela tem quase 2 milhões de seguidores, sendo que a maioria sempre manda mensagens de apoio, orações e votos de que ela melhore. Porém, nessa relação virtual tem coisas ainda mais importantes.

Nara diz estar encontrando muita gente que tem dor no estômago, principalmente jovens. “Uma menina disse que descobriu o câncer dela porque se identificou com os sintomas que eu descrevia. Aí, procurou o médico. Por sorte, o dela está bem no começo e é mais fácil de tratar que o meu. Foi aí que eu vi que podia ajudar outras pessoas”.

Em muitos momentos, ela demostra não entender por que está passando por tudo isso, “Eu não era uma pessoa que bebia muito, que fumava e comia besteira. Foi uma fatalidade. Eu não causei isso aqui. Então, é muito importante as pessoas verem que pode acontecer. No meu caso, por exemplo, o médico falou que tudo indica que foi uma mutação genética”.

Ela ressalta, também, que não posta seu cotidiano por fama, mídia, pra aparecer ou por seguidores. “Não quero ninguém passando pelo que eu estou passando. Às vezes, você pode estar sentindo uma dor e, me vendo, procurar logo um médico. Meu papel como ser humano, e já que eu sou tão influente nas redes sociais, é esse. Todo dia que eu tô triste, pra baixo ou sem esperança, abro meu Instagram e tem a história de uma pessoa que tem uma doença três vezes pior que a minha, que está bem hoje e se curou. Acredito muito na minha cura, que não vou ficar doente para sempre”.

O post

Se Nara já era famosinha no Instagram, como ela mesmo se descreve, depois que postou uma foto de biquíni, em Guarujá, dia 13 de ouubro, virou quase uma celebridade. Porém, o post acabou tornando-se uma oportunidade para que ela desabafasse quanto à sua condição.

“Na verdade, eu postei uma foto de biquíni sem texto algum. Aí o pessoal começou a falar... ‘Nossa que corpo lindo’, ‘O corpo dos sonhos’, ‘Como eu faço pra ter um corpo assim?’ Mandaram direct (mensagem fechada no Instagram) perguntando se eu tava fazendo dieta, dizendo que eu tava bonita mais magra. Fiquei chocada. Pensei que aquela não era a mensagem que eu queria passar. Então, eu fiz aquele texto contando que não estava magra, mas sim doente, com câncer no estômago e lutando há três meses pela minha saúde. Pra mostrar às pessoas que a minha mensagem não era a do corpo perfeito”.

Foto usada por Nara para alertar sobre a doença (Foto: Reprodução/Instagram)

O pior de tudo é que as pessoas sequer perceberam que Nara estava com a sonda no nariz (por onde ela recebe alimentação e medicamentos). “Apesar de eu usar a sonda, muita gente só olhou pro corpo. E diziam que eu tava bonita. Acho que elas não tinham noção da gravidade da situação”.

Apesar de tudo, o desabafo de Nara teve um lado bom. Porque foi a partir daí que as pessoas começaram a se interessar pelo tratamento. “Aí eu vi que poderia postar qualquer foto, mesmo quando não estava bem e internada. Acaba sendo um jeito de eu contar, de uma vez, pra todo mundo, até para os meus familiares que estão longe, o que está acontecendo comigo”.

Se cuidem. Vão ao médico, não se privem de comida. Não adianta fazer dieta louca. Melhor ser todo mundo gordinho e feliz. Meu sonho é comer arroz, feijão e ovo, que é a comida que eu mais gosto. Sempre sonho que tô comendo isso. Nara Almeida, 24 anos.

Porto seguro

E nessa caminhada, o namorado Pedro Rocha, 25 anos, tem sido fundamental. Na verdade, o porto seguro. A história deles não é longa, mas tem uma força incrível.

“Nos conhecemos em uma festa aqui em São Paulo, em abril, e pouco tempo depois começamos a ficar. Algumas vezes a Nara passava mal e sentia dores. Mas ela fazia tratamento para úlcera. Quando as dores começaram a aumentar, a levei ao hospital. Ela passou o dia fazendo exames e ficou internada”.

Pedro conta que, alguns dias depois, um amigo dela ligou e falou que o diagnóstico era câncer. “Os médicos queriam que eu estivesse presente quando dessem a notícia. Na hora, ela não assimilou a palavra tumor maligno a um câncer. Achou que era apenas um tumor e que faria a cirurgia e iria para casa. Como eu sabia que a doença era grave e que a Nara não tinha ninguém que pudesse dar os cuidados que ela precisava, liguei para minha mãe”.

Nara e Pedro se conheceram em uma festa em abril deste ano (Foto: Reprodução/Instagram)

E foi assim que, nos primeiros dias de agosto, a mãe dele, Roseli Monari de Melo, mudou de Valinhos para São Paulo e passou a cuidar de Nara durante a semana, enquanto Pedro trabalha. “E ela faz isso como se eu fosse filha dela. Tem o poder de estar comigo como se fosse minha mãe, 24 horas”, diz Nara.

Roseli, que trabalha como voluntária no Centro Infantil Boldrini, hospital filantrópico especializado em oncologia em Campinas, conheceu a jovem dia 20 de julho. 

“Lembro que meu filho disse que estava preocupado com ela. Nós começamos a procurar um convênio, mas uma semana depois ele disse: ‘Mãe, não dá mais tempo. A Nara já tá internada’. Então me mudei pra cá”.

Roseli, mãe de Pedro, mudou-se de Valinhos e veio a São Paulo para cuidar de Nara (Foto: Rogério Soares/AT)

Mudanças

Pedro diz que a rotina do casal mudou completamente. “Antes saíamos muito, íamos a todas as festas e depois do diagnóstico paramos de sair completamente. Mas eu sempre gostei muito da Nara e, quando soube que ela passaria por momentos difíceis, abri mão disso para ficar com ela e ajudar da forma que pudesse”.

E se tem uma coisa que faz bem pra ela, é ele. “A gente estava se conhecendo quando eu descobri a doença. Na verdade, o Pedro descobriu primeiro que eu. E não saiu de perto de mim. Ele não me abandonou. Ficou comigo o tempo todo. A nossa história é basicamente essa”, diz Nara, com um sorriso no rosto.

Até hoje acho estranho o tanto de mensagens que recebo dizendo como isso é raro (ficar com a Nara após saber da doença). Na hora não tive a menor dúvida de que isso era o certo a fazer. Não consigo assimilar a ideia de alguém virando as costas para uma pessoa querida passando por necessidades. Pedro Rocha, 25 anos, namorado de Nara


Pedro criou a camiseta com a palavra Hope
(Foto: Rogério Soares/AT)

Exposição

Os próximos passos do tratamento de Nara são a químio e, depois, a cirurgia. Ela não sabe se, ao longo desse período, continuará postando com a mesma frequência no Instagram. 

“Não sei até quando terei vontade disso. Antes, eu tinha 700 mil seguidores. Hoje estou com quase 2 milhões. Então, não sei até quando será saudável pra mim. Isso porque tanta exposição também tem seu lado negativo”.

Nara faz questão de dizer que não mantém qualquer tipo de vaquinha virtual para arrecadar dinheiro. “Se nós precisarmos, eu mesma vou divulgar e todo mundo vai ficar sabendo”.

O que existe hoje é o bazar, que está sendo organizado (seria on-line, mas agora será presencial), e a venda de camisetas criadas pelo Pedro com a palavra ‘Hope’, que significa esperança.

Todo o lucro reverte pra Nara e a primeira leva está esgotada. Quem quiser a camiseta tem de falar pelo Instagram com ela (@almeidanara) ou ele (@pedrorocha00).

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