Miniestação no José Menino ajudará no tratamento do esgoto

Santos é pioneira no projeto, convênio da Sabesp com NM2 Tecnologia Ambiental

22/04/2018 - 09:10 - Atualizado em 22/04/2018 - 10:00

A estrutura montada em dois contêineres e que ficará no José Menino, tem 36 m² e pode ser transportada (Foto:Divulgação)

A Sabesp assinará, em maio, um convênio com a empresa NM2 Tecnologia Ambiental para testar, durante um ano, a eficácia de uma nova tecnologia que poderá contribuir para melhorar a qualidade de vida da população. Ela ampliará o tratamento de esgoto, o que poderá trazer reflexos positivos à balneabilidade das praias e à qualidade da água dos rios.

Esse projeto piloto consiste na implantação de uma miniestação de tratamento de esgoto, com apenas 36 metros quadrados. Inicialmente, a estrutura será instalada na Estação de Pré-Condicionamento (EPC) do Bairro do José Menino, em Santos, onde os resultados serão avaliados pela equipe técnica da estatal.

Posteriormente, ela deverá ser fixada por alguns meses em Itanhaém ou em Mongaguá. Se a experiência for bem-sucedida, a Sabesp poderá estender essa iniciativa para outras cidades onde opera em São Paulo.

Vantagens

Proprietário da empresa parceira da Sabesp na iniciativa, o engenheiro Nicola Isidoro Martorano Filho explica que um dos principais gastos com o sistema de esgotamento sanitário em uma região, como a Baixada Santista, é o bombeamento dos efluentes até as EPCs ou para estações de tratamento de esgoto, que acabam sendo grandes estruturas.

“O diferencial da nossa proposta é descentralizar esse processo, o que vai gerar uma economia para a Sabesp, mais agilidade para atender as comunidades e um resultado operacional melhor, beneficiando o meio ambiente”, diz ele, que é pesquisador da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e esteve na última segunda-feira, em Santos, para conversar com representantes da estatal.

Segundo o engenheiro, uma vantagem dessa nova tecnologia é a estrutura. Construída dentro de dois contêineres, ela pode ser adaptada para atender a partir de 600 pessoas – como a que será testada na região – até 2 milhões de habitantes. O especialista batizou essa tecnologia de BR Ecosystem, o que é resultado de testes e estudos feitos nos últimos 20 anos com professores, alunos e profissionais de universidades e centros de pesquisas do País (veja o destaque Apoio).

Monitoramento

A engenheira civil e superintendente de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da companhia de saneamento, Cristina Knörich Zuffo, afirma que o projeto desenvolvido pela NM2 Tecnologia Ambiental foi apresentado no Fórum Mundial da Água, realizado no mês passado, em Brasília, e chamou bastante a atenção dos participantes do evento. 

“Vamos observar toda a técnica e se o processo atende todos os nossos critérios. Temos que avaliar os aspectos ambientais desse projeto e a viabilidade técnico-econômica para replicá-lo em outras localidades do Estado”, afirma.

A engenheira explica que a parceria deverá ter validade durante um ano. Esse período é considerado suficiente para análise dos dados coletados e verificação de ajustes finos para o uso dessa tecnologia.

Isolados

Um dos principais ganhos dessa iniciativa, caso receba o sinal verde da companhia, é a possibilidade de atender mais rapidamente as comunidades isoladas e de difícil acesso com essa estrutura de menor porte.

“Estamos sempre de olho em novas tecnologias para melhorar a balneabilidade das praias e aumentar os índices de tratamento de esgoto na Baixada Santista e no Estado”, comenta Cristina.

Parcerias

A tecnologia desenvolvida pela empresa NM2 Tecnologia Ambiental que resultou na criação dessa miniestação de tratamento de esgoto é o resultado de estudos desenvolvidos nos últimos 20 anos em parceria com as seguintes instituições: Universidade de São Paulo (USP), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Conselho Nacional de Pesquisa e Tecnologia (CNPq), Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Porto Alegre e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Igreja Católica

O projeto conta com o apoio da Arquidiocese Metropolitana de São Paulo, da Misericórdia Fundo de Ajuda dos Arautos do Evangelho e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesp). A iniciativa está em sintonia com a carta encíclica do papa Francisco, Laudato Si, que busca incentivar a população a reconhecer “a grandeza, a urgência e a beleza do desafio” relacionado às questões ambientais.

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