Caminhoneiros mantêm greve no Porto de Santos

À tarde, com a presença da Tropa de Choque, caminhões parados no Retão da Alemoa desde o início da greve entraram no complexo portuário

30/05/2018 - 16:49 - Atualizado em 30/05/2018 - 20:59

Tropa de Choque foi acionada para acompanhar a liberação do acesso ao Porto (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Os caminhoneiros autônomos decidiram, na noite desta quarta-feira (30), manter a greve no Porto de Santos. Durante a tarde, porém, alguns caminhões que ocupavam a área do Retão da Alemoa, desde o último dia 21, no início da greve,  acessaram o complexo portuário diante da presença  da Tropa de Choque da Polícia Militar.

Sob protestos de grevistas, caminhões deixam o Porto
 escoltados, após manutenção da greve  (Codesp)

Desde o começo dos protestos, a categoria demonstra insatisfação com o valor do óleo diesel,  frete e a cobrança em pedágios, reivindicações que, segundo eles, não foram atendidas. 

O governador do Estado de São Paulo, Márcio França (PSB), esteve em Santos para conversar com os manifestantes. Ele chegou por volta das 17h45 e ficou cerca de 30 minutos com caminhoneiros e petroleiros.

"Desde sexta-feira (25) estou me esforçando para tentar dialogar. Senti que era correto vir aqui conversar com vocês pessoalmente e, de repente, ver se de alguma forma posso colaborar. Sei que o problema principal está no diesel, e vocês sabem o que está acontecendo. Já foi definido um valor mínimo para o frete, ao mesmo tempo que o presidente (Michel Temer - MDB) fixou em 46 centavos o desconto no preço do diesel, alem de anistiar quem tinha multas e punições".

Presidente do Sindicam, Alexsandro Viviani, encontra o governador Márcio França  (Vanessa Rodrigues/AT)

O presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Alexsander Viviani, reforçou as reivindicações dos profissionais da região.

O sindicalista alega que a luta não é só dos caminhoneiros, mas da população brasileira e, por isso, também pede a redução no preço dos demais combustíveis, além de "congelar a cobrança por eixo nos pedágios, reajustando o valor conforme a inflação; de aprovar do Marco Regulatório do Transporte Rodoviário de Cargas e a mudar na pontuação na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) dos profissionais". 

O governador deixou o local acompanhado do presidente do Sindicato dos Estivadores (Sindestiva), Rodnei Oliveira. Logo em seguida, alguns manifestantes dispersaram e outros definiram a manutenção da greve. 

Tropa de Choque

A presença da tropa de choque foi solicitada ao local  para dispersar o grupo que está há dez dias concentrado no 'retão' da Alemoa, que dá acesso aos terminais da margem direita e, também, nas proximidades da Rua do Adubo, em Guarujá, que dá acesso aos terminais da margem esquerda.

Apesar de boa parte dos postos de combustíveis da região já ter sido reabastecida ao longo da terça-feira (29) e nesta quarta (30), os caminhoneiros autônomos se mantêm, em vigília, no local.

Impacto negativo

Mais cedo A Tribuna On-line publicou que deve demorar 10 dias para que os impactos da paralisação sejam minimizados e a logística comece a voltar ao normal no maior complexo marítimo do País

Desde a segunda-feira da semana passada (21), não chegam cargas de exportação ao Porto de Santos. Enquanto isso, as mercadorias de importação estão represadas nos terminais devido aos bloqueios nas duas margens do complexo. 

Manifestantes ocupam acesso desde segunda-feira (21) (Arquivo/AT)

Os prejuízos superam a marca de R$ 375 milhões no setor da navegação. Em Santos, nesta terça-feira (29), um grupo de cerca de 40 caminhoneiros se concentrava na Alemoa, em esquema de revezamento, enquanto outros dez protestavam na Praça da Fome, no Valongo. 

Já em Vicente de Carvalho, em Guarujá, os bloqueios aconteceram na Rua Idalino Pinez, conhecida como a Rua do Adubo, onde 35 trabalhadores protestam diariamente. 

Veja Mais