Mais de 620 mil moradores da Baixada Santista estão inadimplentes

Número divulgado pelo Serasa Experian representa 34% da população da região

05/02/2018 - 15:03 - Atualizado em 05/02/2018 - 15:04

Apesar de alto, número é 0,5% menor que o registrado em dezembro de 2017 (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

O soldador desempregado Paulo Roberto Afonso, de 34 anos, viu as faturas do cartão de crédito e das demais contas fixas se acumularem a partir de agosto, quando terminou seu contrato de trabalho numa empresa terceirizada no Polo Industrial de Cubatão. Ele faz parte de uma realidade que afeta um em cada três moradores da região: a inadimplência.

Impulsionadas pela retração do mercado formal de trabalho, as nove cidades da região encerraram 2017 com acréscimo de 2,6 pontos percentuais no estoque de dívidas abertas, em comparação com 2016. Segundo analistas consultados por A Tribuna, desemprego em alta e perda de massa salarial resultam nesse cenário. 

Os números locais vão na contramão da média nacional. De acordo com o indicador de registros de inadimplentes da Boa Vista SCPC – empresa de análise de crédito ,– a quantidade de brasileiros com restrições de crédito caiu 3,5% de um ano a outro. No Estado, foi menos 1,7%.

Conforme levantamento de dezembro da Serasa Experian – empresa de análise de crédito –, a inadimplência afeta 34% dos moradores da Baixada Santista. Isso significa que ao menos 621 mil residentes locais têm alguma dívida. Santos (138,8 mil), São Vicente (128 mil), Praia Grande (106,9 mil) e Guarujá (104,3 mil) somam o maior número de devedores. No Brasil, o índice é de 29%.

Menos pior

O número atual é um pouco menor do que no estudo divulgado em junho passado, quando 36,3% dos residentes locais tinham algum tipo de restrição ao crédito. Naquela ocasião, ao menos 640 mil moradores das nove cidades apresentavam pendências financeiras.

“Geralmente, em dezembro há uma melhora nos indicadores por causa do 13º salário. Muitos utilizam o abono salarial para quitar as dívidas”, afirma o economista da Boa Vista SCPC, Flávio Calife. Segundo ele, em dezembro, caiu 0,5 ponto percentual o volume de inadimplentes – o mesmo verificado no restante do País.

Os homens são a maioria dos devedores: 51% do total. Quem ganha até dois salários mínimos (até R$ 1.908,00) está entre os que mais enfrentam dificuldades de manter as contas em dia – eles são 42% dos devedores.

Na sequência, vêm aqueles com rendimento mensal entre dois e cinco mínimos (até R$ 4.770): 12%. O maior recorte analisado (37,3%) tem apenas uma dívida; 30,7% dos consumidores incluídos no banco de dados do SPC estão com quatro ou mais boletos abertos.

Calife afirma que a tendência é de queda no nível de dívidas ainda neste semestre. Para isso, ele indica a tímida recuperação da economia e a retomada no volume de contratações no mercado de trabalho.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o País fechou 20.832 vagas no ano passado – resultado de 14.635.899 admissões e 14.656.731 desligamentos. Esse foi o menor saldo negativo em quatro anos.

O Ministério do Trabalho estima que um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3% neste ano terá potencial para gerar em torno de 1,8 milhão de empregos. Segundo a pasta, esse cálculo é baseado na experiência observada em anos anteriores.

“Com o cenário de melhor expectativa de juros e vigência de novas leis trabalhistas, o crédito poderá retomar a importância que teve no passado”, considera o economista Yan Cattani.

No comércio

A redução na quantidade de inadimplentes já apresenta resultados nas vendas no varejo. De acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o setor cresceu 4,7% em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. A entidade afirma que esse foi o nono mês seguido de alta e o primeiro janeiro no azul desde 2014. “O resultado é animador e ajuda a recuperar a perda de janeiro de 2017, quando o movimento caiu 5%”, menciona Marcel Solimeo, economista da ACSP. Para ele, a tendência para os próximos meses é de crescimentos similares ao de janeiro.

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