Irmã faz vaquinha para ajudar jovem com tumor na língua

Procedimento leva em torno de 12 a 15 horas e custa R$ 80 mil; estágio do câncer é avançado

16/07/2018 - 21:17 - Atualizado em 16/07/2018 - 22:00

Lázaro descobriu o tumor em outubro de 2017 e já
pedeu cerca de 27 quilos  (Foto: Arquivo pessoal)

Sem condições de arcar com R$ 80 mil para uma cirurgia de ressecção (retirada) de um tumor na língua e outra para a sua reconstrução, o consultor técnico Lázaro Murilo Carvalho Lima, de 28 anos, conta com o apoio dos familiares e a colaboração de amigos e anônimos para conseguir o dinheiro e realizar o procedimento.

A responsável por criar uma vaquinha on-line, no dia 6 de julho, a fim de angariar os fundos, foi a irmã, Rita de Cássia Lima Reis, 20 anos. Mais de R$ 16 mil já foram arrecadados através do site vakinha.com.br, o que representa 20% do montante desejado.

O dinheiro é fundamental para o tratamento que visa curar Lázaro do tumor e, segundo Rita, esses dias difíceis vividos pela família têm sido superados graças ao apoio dos amigos e dos muitos desconhecidos que estão sensibilizados com o caso.

"Ele sempre esteve esperançoso, mas a campanha mexeu com a autoestima". O valor é arrecadado será destinado ao pagamento de duas equipes médicas, uma para a cirurgia de ressecção do tumor e outra da cirurgia plástica, que fará a reconstrução do órgão. 

Histórico

Aos 5 anos, Lazaro foi  diagnosticado com
leucemia, mas passou pelo período de remissão
 da doença e foi considerado curado. Dessa vez,
ele a família esperam que o desfecho da
história seja o mesmo.  

A Tribuna On-line entrou em contato com o médico responsável pelo procedimento, o cirurgião de cabeça e pescoço Thiago Celestino Chulam, que confirmou o valor solicitado por Rita na vaquinha on-line. 

"Foi passado o orçamento (R$ 80 mil) de duas equipes cirúrgicas. Uma composta por três cirurgiões, que vão fazer a ressecção do tumor, um instrumentador e um anestesista, e a outra por dois cirurgiões plásticos, com mais um anestesista e um instrumentador". 

O profissional destacou que o caso de Lázaro é grave e a única chance de cura é através da cirurgia. O paciente já passou por diversas sessões de quimioterapia e radioterapia, mas estas não fizeram o tumor sumir. 

"É uma cirurgia longa, de 12 a 15 horas, que vai demandar uma recuperação pós-operatória muito longa. O paciente deve ficar internado pelo menos uma semana, se tudo correr bem

Plano não cobre

De acordo com Rita, assim que descobriu o câncer, o irmão passou por médicos em Santos e deu início ao tratamento com as sessões de quimioterapia e radioterapia. Em uma das últimas consultas, um dos profissionais falou do risco do paciente perder a capacidade de falar e comer. 

A situação, segundo ela, traumatizou Lázaro, que precisava de outra opção e opinião médica. Foi quando o nome de Thiago Celestino Chulam foi indicado. 

Rita conta que o profissional apresentou a possibilidade de uma recuperação preservando a comunicação e a condição de ingerir alimentos sólidos. O problema é que o plano não cobre o procedimento cirúrgico. A internação, porém, será custeada. 

Como o caso é de gravidade e Lázaro já está sob orientação médica, a família não pensou em buscar o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

"Meu irmão teria que passar pela assistência social para, somente depois da entrevista, ser encaminhado a um hospital que faça o procedimento. Quando pesquisei o prazo para o atendimento do SUS soube que demora cerca de 6 meses". 

Descoberta

Lázaro descobriu a doença, em outubro de 2017, durante uma consulta odontológica com um amigo dentista. "Ele estava com uma afta na língua que não curava. Em uma conversa casual perguntou (sobre a ferida). O dentista achou que fosse câncer e o mandou procurar um especialista. Após exames, a biópsia constatou o tumor". 

Depois de passar por mais de 30 sessões de quimioterapia e radioterapia, já em junho deste ano, o irmão de Rita fez uma nova biópsia, que ainda indicou a presença do câncer. 

Da descoberta do tumor até hoje, Lázaro já perdeu cerca de 27 quilos. "A língua dele está fragilizada (devido às sessões de rádio e químio). Arde muito quando toma qualquer líquido. Essa também é a forma como tem se alimentado". 

Rita conta que a afta que o fez descobrir o tumor sumiu por conta das biópsias e o efeito da quimioterapia e radioterapia. No entanto, além de dor ainda fala com dificuldade porque a língua está fraca.

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