Interessados em imóveis de temporada sofrem golpes

Nem sempre anúncios em sites são reais

06/12/2017 - 21:18 - Atualizado em 06/12/2017 - 21:37

O marinheiro Carlos Eduardo da Silva, 36 anos, sempre se preocupa com a chegada de fins de semana durante a alta temporada, em Bertioga. Não apenas porque a Cidade fica cheia de turistas, mas por temer pela própria segurança sempre que alguém toca a campainha: a sua residência é costumeiramente inserida em sites de anúncios para locação temporária à revelia dele.

Silva está na outra ponta dos que sofrem com o golpe do aluguel de imóveis para temporada. Ele lida com pessoas enganadas por anúncios fraudulentos e que, às vezes, já pagaram a estelionatários a metade do valor combinado. 

“Fico apreensivo perto do fim de semana ou do feriado prolongado. Sei que na sexta à noite ou no sábado de manhã algum grupo vai aparecer na porta. Preciso explicar a situação. Nem sempre a pessoa entende. Alguns pensam que eu estou no esquema e podem tentar algo contra a minha família”, afirma. 

A localização da residência, na região central da Cidade, é um dos motivos que fazem Silva acreditar ter sido alvo de criminosos virtuais. “Isso tem acontecido com mais intensidade nos últimos três anos”. 

Nesta semana, ele ficou surpreso ao encontrar sua residência num site de anúncios. “A pessoa capturou imagem do Google Street View (recurso que permite visão panorâmica de endereços) da fachada de minha casa. Incluiu fotos internas que não representam minha casa e a colocou para alugar. É um absurdo”.

O diretor de Legislação do Inquilinato do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Jaques Bushatsky, orienta o proprietário do imóvel a fazer um boletim de ocorrência e comunicar o crime. “É uma maneira de acionar as forças policiais para apuração da prática e de o dono se proteger”. Também deve pedir ao site a remoção do aviso fraudulento. 

Um dos casos é o de um morador de Bertioga cujo imóvel foi anunciado sem autorização (Foto:  Luigi Bongiovanni/AT)

Cuidado

No outro extremo, está o locatário com o desejo de passar um período numa casa de veraneio com amigos e parentes. Geralmente moradora da Grande São Paulo ou do Interior paulista, a vítima negocia com o golpista pela internet.

Entre as principais queixas, estão descobrir que o imóvel não foi anunciado pelo dono, mas por grupos que clonam as informações da casa; e a diferença entre as fotos anunciadas e o real estado do imóvel.

O diretor presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, explica que os estelionatários se valem de um artigo na Lei do Inquilinato para aplicar o golpe. “A legislação prevê a cobrança antecipada de metade do valor quando se fecha o negócio e outra metade quando os locatários chegam ao imóvel. Quando a pessoa percebe ter sido vítima, já perdeu uma parte do valor”.

A orientação aos veranistas que procuram localização temporária é fechar negócio em uma imobiliária ou com corretor de imóveis registrado. “Em caso de algo não sair como o combinado, o locatário tem como buscar reparação”. 

O coordenador do Procon-Santos, Rafael Quaresma, aconselha a elaboração de um contrato prévio. “Assim, há a garantia de que aquilo que foi pactuado, ainda que verbalmente, está redigido nas cláusulas. Isso evita surpresas, como multas indesejadas ou responsabilidade não informada. Todo cuidado é pouco”.

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