Incêndio na Ultracargo completa dois anos e pouco se avançou

MPE estipulou indenização de R$ 3,6 bi, mas acordo é tentado antes de qualquer ação na Justiça

04/04/2017 - 16:39 - Atualizado em 04/04/2017 - 17:23

Fogo demorou mais de 197 horas para ser apagado (Foto: Walter Mello/AT)

Dois anos após o incêndio que atingiu o terminal da Ultracargo, na Alemoa, em Santos, empresa e Ministério Público Estadual (MPE) tentam resolver a questão que envolve a reparação de danos ambientais por meio de um acordo que ainda não foi concluído. A medida é uma tentativa prévia a uma ação indenizatória de R$ 3,671 bilhões, valor estimado dos prejuízos causados.

Segundo o promotor de Justiça do Meio Ambiente de Santos, Daury de Paula Júnior, nas próximas semanas serão realizadas audiências públicas nas comunidades afetadas pela poluição gerada pelo incêndio para explicar parte do acordo. As datas não foram divulgadas.

O incêndio nos tanques de combustíveis da Ultracargo, no dia 2 de abril de 2015, é considerado o maior em região industrial do País e o segundo maior do mundo, em número de pessoas empenhadas em conter o fogo. Ao todo, foram 118 profissionais e mais de 197 horas de combate à chamas.

O combate ao incêndio e o consequente uso de bilhões de litros de água fez escoar para o estuário resíduos de combustível que prejudicaram o ecossistema. De acordo com o MPE, a indenização estipulada foi calculada com base a reparar os danos causados no ar, água e subsolo. Cerca de 8 toneladas de peixes mortos foram recolhidos no Canal do Estuário e no Rio Casqueiro, em Cubatão.


Inquérito e perícia

A Polícia Civil em Santos concluiu o inquérito e o enviou à Justiça em 26 de outubro. O laudo pericial do Instituto de Criminalística (IC) apontou que o incêndio não foi criminoso. Já na perícia realizada pelo MPE foi constatado que um erro operacional provocou o incêndio no terminal.

Repostas

Procurada, a Ultracargo informou que as negociações com o Ministério Público estão em fase avançada. Mas, quanto a outras informações, a empresa afirma que aguardará o encerramento das negociações com as autoridades para se manifestar publicamente.

A Prefeitura de Santos, que em fevereiro deste ano pediu que a Ultracargo realizasse investimentos de R$ 40 milhões na saúde pública da Cidade como forma de compensar parte dos danos gerados pelo incêndio, informou que já apresentou sua proposta, que teve parecer favorável do Ministério Público, e aguarda o trâmite das tratativas.

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