Idosos devem ter laudo para tomar vacina contra febre amarela

Alguns estudos demonstraram mais ocorrências de reações adversas após a vacinação nos idosos

14/01/2018 - 09:35 - Atualizado em 14/01/2018 - 09:35

Medida é recomendada pelo
Ministério da Saúde (Foto: Divulgação)

Pessoas com 60 anos ou mais terão que conseguir autorização médica por escrito para serem vacinadas contra a febre amarela, a partir de 3 de fevereiro, em Santos, São Vicente e Praia Grande. O motivo é a recomendação do Ministério da Saúde e do Programa Estadual de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Os órgãos federal e estadual indicam avaliação médica do benefício e do risco ou, ao menos, triagem para aplicação nessa faixa etária. Guarujá aguarda os informes técnicos do Ministério da Saúde.

 

Ana Paula Valeiros, chefe do Departamento de Vigilância em Saúde de Santos, explica. “Não tem como a pessoa que aplicará a vacina olhar para o idoso e decidir, na hora, se ele deve ou não ser imunizado. Já o médico tem o histórico do paciente. Então, vamos orientar que pessoas acima de 60 anos já peçam declaração ou atestado dizendo que gozam de perfeita saúde para tomar a vacina ou não”.

Faz mal ou não faz?

Alguns estudos demonstraram mais ocorrências de reações adversas após a vacinação nos idosos. A questão, no entanto, divide especialistas: alguns defendem a triagem, enquanto outros acreditam que todos deveriam se imunizar. A única concordância é sobre a importância da vacina. 

Marcos Caseiro, infectologista de Santos e professor universitário, defende que idosos sejam vacinados mediante triagem. “A princípio, deveriam passar por triagem devido ao fato desta população normalmente ter doenças ou fazer uso de medicações que, eventualmente, possam ter contraindicação”. 

Para o infectologista Evaldo Stanislau, que atua no Hospital Municipal de Cubatão e no Hospital das Clínicas de São Paulo, não há risco. “Pessoas mais idosas, em teoria, poderiam ter mais doenças crônicas ou menor imunidade. Porém, dados mostram que o risco da exposição à febre amarela é maior que o risco da vacina, que é muito pequeno”, aponta. 

Segundo Stanislau, a vacina da febre amarela é, em geral, muito segura. As reações pós vacinais podem ser dividas em três tipos: mal-estar e febre passageiros, o que ocorre entre 3% a 20% dos vacinados; doença sistêmica, que é a febre amarela induzida pela vacina, ou complicações neurológicas. 

O especialista, porém, aponta que os efeitos mais graves são pouco frequentes. Ocorrem na ordem de 0,4 a 0,8 casos a cada 100 mil vacinados. “E pessoas com mais de 60 anos, gestantes ou mulheres amamentando, pacientes em uso de medicamentos imunodepressores e portadores de algumas patologias que afetem a resposta imune estariam sob risco aumentado para complicações graves”, explica, afirmando que recomenda a vacinação a todos, exceto ao grupo que tem contraindicação bem estabelecida (veja destaque).

Laudo e triagem

Em São Vicente, os pacientes com mais de 60 anos poderão se vacinar mediante apresentação de um laudo médico. Os demais, independentemente da idade, passarão por triagem para verificar se há restrição.

Lá, a orientação é que apenas as pessoas com viagem marcada a regiões de risco procurem o serviço de vacinação. Elas devem se imunizar primeiro, pois a vacina só começa a fazer efeito dez dias após a aplicação. 

Guarujá ainda aguarda os informes técnicos do Ministério da Saúde para definir a questão. Por enquanto, o município vacina apenas quem tem viagem marcada para áreas endêmicas – o que vai ocorrer até o próximo dia 2 de fevereiro. Quanto à campanha de vacinação geral, a iniciativa ocorrerá do dia 3 a 24 de fevereiro.

Praia Grande também exigirá prescrição médica para maiores de 60 anos e informa que apenas idosos e gestantes que vão viajar para áreas de risco serão vacinados.

Ana Paula Valeiros, de Santos, lembra que, mesmo com pedido de declaração médica, não será preciso correria no primeiro dia de campanha. “Vai ter vacina para todos. A campanha é até dia 24 de fevereiro, mas as vacinas continuarão sendo aplicadas durante o ano todo, em qualquer posto de Saúde”, diz.

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