Guarujá registra terceira morte por febre amarela na Baixada Santista

A vítima contraiu a doença no município, assim como aconteceu nos outros dois casos envolvendo moradores de Peruíbe e Itanhaém

03/05/2018 - 19:30 - Atualizado em 03/05/2018 - 22:24

Médico destaca a importância da vacina, a melhor forma
de se proteger contra a doença (Alexsander Ferraz/AT)

A Prefeitura de Guarujá confirmou o primeiro caso de morte por febre amarela contraída na Cidade. Esta é terceira vítima da doença na Baixada Santista, os outros dois registros foram em Itanhaém e Peruíbe

De acordo com a Administração Municipal, o rapaz, um trabalhador portuário de 24 anos, deu entrada no Hospital Santo Amaro (HSA) no dia 28 de março com suspeita de leptospirose e morreu no dia seguinte. A febre amarela só foi confirmada agora pelo Instituto Adolfo Lutz, com base nos exames encaminhados.

A vítima morava no Jardim Boa Esperança, em Vicente de Carvalho, mas frequentava a região do Cantagalo e Pedreira, no final da Enseada, região próxima a mata e onde a Prefeitura acredita que tenha ocorrido o contágio. 

Mais um caso

O infectologista Marcos Caseiro informou à Reportagem que, na última terça-feira (24), um morador de Juquehy (São Sebastião), de 18 anos, também foi vítima da doença. Ele deu entrada de manhã no Pronto Socorro de Bertioga e logo foi transferido para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em Guarujá, onde morreu. 

Caseiro conta que estava de plantão na unidade e foi quem atendeu o caso. Os exames realizados no paciente comprovaram a doença, mas ainda é aguardado um laudo do Instituto Adolfo Lutz. 

De acordo como o médico, não há a menor dúvida de que o jovem tenha se infectado em Juquehy, onde residia em uma área de morro próximo a mata.

Apesar de ter morrido em Guarujá e passado pelo PS de Bertioga, o caso será registrado na cidade de origem da vítima. 

Demora na informação

O infectologista alerta sobre a importância de haver mais agilidade no comunicado da confirmação da doença. “O nosso índice de imunização estava muito baixo, mas quando surgiu a informação de morte em Itanhaém e Peruíbe, aquela região passou a ter o maior índice de vacinação da Baixada Santista”.

Para Caseiro, grande parte da população só resolve procurar pela vacina quando percebe o risco da doença mais próximo. “Não podemos sonegar uma informação dessas. É um alerta para a comunidade que o vírus está circulando aqui”. 

De acordo com o médico, resultados de uma doença com essa importância epidemiológica devem ser comunicados de forma imediata. 

“Não tem sentido a demora. O nosso exame (caso de Bertioga) já saiu e deu positivo. A resposta não demora mais do que dois ou três dias. Acho que há uma certa lerdeza para não causar alarde”.

Mortes autóctones

Este é o sexto caso registrado na Baixada Santista neste ano. A terceira morte autóctone - quando o paciente é infectado na cidade - registrada na Região. O primeiro caso que terminou em morte na Baixada Santista foi em 29 de janeiro, em Itanhaém. Na ocasião, a vítima foi um homem de 34 anos, morador do Rio Branco, área rural do Município.

O segundo caso se deu em Peruíbe. A vítima deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Cidade em 18 de março, passou pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em Guarujá, e chegou a fazer transplante de fígado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, mas morreu em 29 de março. Ele frequentava áreas de mata e não havia tomado a vacina contra a doença.

Proteção

Os casos continuam aparecendo e a única forma de se proteger é com a vacina, ainda oferecida nas unidades de saúde. A dose é recomendada para todos os municípios localizados em regiões endêmicas e áreas de transição com risco de contaminação, mas também está disponível nas demais cidades, em centros especiais, para as pessoas que forem viajar para onde o vírus circula. 

É necessário que a vacina seja aplicada pelo menos 10 dias antes do deslocamento para regiões silvestres, rurais ou de mata. 

Já para os residentes em área de risco, o Ministério da Saúde recomenda, para crianças, a administração de uma dose aos 9 meses de idade e um reforço aos 4 anos. 

A partir de 5 anos de idade, além da dose da vacina é necessário um reforço. Para quem que nunca foi vacinado ou não possui comprovante de vacinação, é preciso administrar a primeira dose da vacina e um reforço após 10 anos. Pessoas que já receberam duas doses da vacina ao longo da vida já são consideradas protegidas.

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