Grupo pró-animal protesta contra liberação de carga viva no Porto de Santos

ONG VEDDAS é contra a exportação de bois no cais santista

27/01/2018 - 15:16 - Atualizado em 27/01/2018 - 16:15

Grupo protesta contra transporte de bois no Porto 
(Foto: Alexsander Ferraz/A Tribuna)

O Porto de Santos recebeu mais protestos contra a liberação de transporte de bois pelo cais santista. A ONG Vegetarianismo Ético e Defesa dos Direitos dos Animais e Sociedade (VEDDAS) reuniu um grupo para realizar uma manifestação em frente ao terminal Ecoporto, no Centro de Santos, na manhã deste sábado (27). Já é o segundo dia seguido que o VEDDAS se reúne no local. De acordo com a organização, o protesto deve continuar até 22h30 deste sábado. 

Toda vez que um caminhão com os animais aparece, os manifestantes tentam impedir a entrada do veículo. Pela manhã, os ativistas chegaram a se deitar na pista, na entrada do terminal, estenderam faixas e houve confusão com a Guarda Portuária.

George Guimarães, ativista do movimento, explicou o que o grupo luta "para que as atividades de transporte animal parem no porto".

Ele argumenta que "a extração do gado é para realizar um abate que, aqui no Brasil, seria ilegal".

Além dos protestos em frente à empresa de operação portuária, o VEDDAS entrou com uma representação no Ministério Público Federal em dezembro, que foi renovada neste mês. Além disso, a ONG entrou com uma ação na Justiça Federal contra o caso.

Procurado por A Tribuna Online, o Ecoporto Santos informou, por meio da assessoria de imprensa, que não iria se manifestar.

ONG pretende realizar manifestações até 22h30, segundo George Guimarães (Foto: Alexsander Ferraz/A Tribuna)

Entenda o caso

Tudo começou em novembro do ano passado quando os bois começaram a ser transportados no Porto. Eles foram trazidos em caminhões especiais para este tipo atividade, os boiadeiros, e vêm de fazendas do interior de São Paulo, por uma fornecedora chamada Minerva Foods, que é especializada em transporte de carne bovina e gado vivo. Em dezembro do ano passado toda a carga foi levada.

No último dia 16, a  Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) proibiu qualquer transporte de cargas vivas no cais de Santos a partir da data. O veto veio depois de manifestações de grupos que lutam contra o abate animal e movimentações de carga viva.

Apesar do parecer da Docas, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), fiscalizadora dos transportes que ocorrem nos portos, divulgou que apoia a transação dos animais no cais e que pretende, no próximo mês, deliberar o embarque de bois no terminal do Ecoporto Santos, no Cais do Saboó.

Com o posicionamento da Antaq, a Codesp decidiu, na quinta-feira, revogar a proibição da exportação animal no Porto, liberando operações portuárias envolvendo carga viva. A partir disto, muitas manifestações de grupos pró-animais surgiram, principalmente em frente ao Ecoporto.

Carga viva no Porto

Não é a primeira vez que o Porto realiza transporte de carga viva. Há 18 anos, movimentou cargas vivas em 24 de fevereiro de 2000, quando um lote de 647 avestruzes, vindos da Espanha, foi descarregado no cais do Armazém 11, na região do Paquetá. Foi a primeira vez no País que se fez importação, por navio, desse tipo de ave. Toda operação, incluindo o frete, avaliado em US$ 260 mil, custou US$ 1 milhão. Elas foram levadas a Uberaba (MG) onde ficariam em quarentena e, depois, vendidas por US$4 mil a unidade a futuros criadores.

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