Gaeco denuncia organização criminosa que atua no Porto de Santos

Segundo o MP, sindicato e associações de transporte de contêineres vazios ameaçavam profissionais

09/10/2017 - 18:36 - Atualizado em 09/10/2017 - 19:25

Gaeco diz que empresários e motoristas autônomos
são ameaçados (Foto:Carlos Nogueira/AT) 

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), ofereceu denúncia à Justiça de Guarujá contra 11 integrantes de uma associação criminosa, que são acusados de dominar de forma irregular o mercado de transporte de contêineres vazios no Porto de Santos. O caso é investigado desde 2013.

Segundo o Gaeco, essas pessoas estão ligadas a três entidades, são elas: Sindicato dos Transportadores Autônomos de Containers de Guarujá, Santos e Região (Sindcon), Associação dos Trabalhadores Autônomos de Containers (Atac) e Associação dos Caminhoneiros Autônomos do Guarujá  (Associajá).

Assim que recebeu a denúncia, a Justiça determinou o imediato afastamento de todos os réus dos cargos de direção que ocupam nas entidades e de todas suas atribuições.

Investigações

As investigações apontam que a Associajá e a Atac dividem a totalidade dos valores obtidos com os fretes de contêineres vazios do Guarujá e dos fretes para as cidades vizinhas de Santos e Cubatão. A divisão seria meio a meio.

Para dominar o mercado, o Gaeco informa que a associação criminosa ameaçava e praticava atos de violência contra empresários do ramo de transportes, motoristas autônomos e dirigentes de outras associações.

Sem saída, as vítimas desse grupo, se viam obrigadas a se unir às entidades investigadas para prestar os serviços para os quais eram contratadas. As empresas também não podiam usar de veículos e funcionários próprios nestes casos.

Cobrança de placas e mensalidade

Os motoristas autônomos, por exemplo, só conseguem trabalhar caso se vinculem a Associajá ou Atac. E, para isso, precisam comprar ou  arrendar  “chapas” – identificação-, além de pagar mensalidades.

Mesmo se associando às entidades, os profissionais ainda eram vítimas de uma distribuição desigual dos fretes. De acordo com o Gaeco, as associações privilegiavam os próprios veículos e enriqueciam em um mercado sem concorrências.

Respostas

A tribuna On-line entrou em contato com todas as entidades investigadas pelo Gaeco. A Associajá e Atac não atenderam aos contatos da Reportagem.

O advogado vereador de Guarujá José Nilton de Oliveira, o Doidão, que também é presidente do Sindcon, informou que o sindicato não pronunciará enquanto não for notificado da ação.  

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