Funcionários se comovem e compram tênis a menino que vende chocolates

Samuel de Souza Vieira, de apenas 11 anos, tinha o sonho de ter um calçado novo

12/01/2018 - 20:05 - Atualizado em 15/01/2018 - 10:11

Samuel conseguiu realizar o sonho de ter um tênis novo (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

"Eu queria comprar um tênis. Falei para os vendedores que eu só tinha R$ 20, mas só podia gastar R$ 3, porque o resto eu iria dar para a minha mãe". O relato é de Samuel de Souza Vieira, de 11 anos, menino que mora na Vila Feliz, favela que fica sobre um mangue, no Parque Continental, em São Vicente. Ele vende doces nas ruas do bairro para ajudar a colocar comida na mesa de casa.

A solidariedade de vendedores de uma loja de calçados fez com que o garoto conseguisse realizar o sonho de ter o calçado. O menino é um dos seis filhos de Milslaine de Souza Vieira, de 39 anos. Vem de uma família humilde e foi chamado por amigos para ir ao Centro da Cidade para vender seus chocolates, quando se deparou com o estabelecimento comercial.

E no dia 28 de dezembro do ano passado, algo diferente em sua rotina ocorreu. O menino saiu de casa acreditando que conseguiria arrecadar mais dinheiro. Em um dado momento, eles decidiriam ir a uma loja de calçados, onde, no dia anterior, sem Samuel, os meninos tinham conseguido vender bastante.

Entretanto, quando o garoto chegou à loja, começou a sonhar. Esqueceu sua missão diária de ter que ajudar a sustentar a casa com apenas 11 anos e de ter que andar com uma caixa cheia de doces, os quais não pode comer. E fugiu também da sua mente a realidade cruel de uma vida dura que não lhe permite ter a infância que toda criança merece ter. Tudo isso porque Samuel queria um tênis novo no final do ano. 

Vendedores se reuniram e resolveram
presentear o garoto (Foto: Divulgação)

Os vendedores apenas observaram o garoto pobre desejando um calçado. "Naquele dia, ele e mais três meninos entraram na loja para vender chocolates. Só que eles entravam e saíam. O Samuel era o único que permanecia e olhava para os tênis", explicou Raphael Leite Moraes, então funcionário do estabelecimento.

Segundo Raphael, o garoto, assim como os outros três meninos, foram embora. Horas depois, entretanto, ele voltou. "Eram quase 20 horas quando o Samuel voltou à loja. Ele foi em direção ao gerente, que estava ocupado. Então, ele tirou do bolso muitas moedas e pediu para que algum funcionário contasse quanto tinha". A quantia, que era de R$ 20, não dava para comprar nenhum calçado daquela loja e de nenhuma outra da região. Então, desapontado, Samuel foi embora. Mal sabia que estava bem perto de realizar o que tanto queria.

Raphael e os outros vendedores se comoveram com a cena e resolveram, então, comprar um tênis para o menino. O funcionário, que estava encerrando o seu turno, foi atrás do garoto e o encontrou nas imediações. Ele o chamou de volta para a loja, o fez sentar, pegou alguns calçados e deixou que o pequeno escolhesse um tênis. Nunca um menino da Vila Feliz se alegrou tanto. Os funcionários fizeram uma "vaquinha" e Samuel voltou para casa de tênis no pé. 

Mãe

Além de Samuel, Mislaine cria um outro filho, Thaynan, de 9 anos. Os outros ela entregou para parentes ou conhecidos. Atualmente, sustenta a família de diversas maneiras e para conseguir dinheiro para comprar a comida de casa improvisa de várias maneiras. "Me viro nos trinta. Faço chup-chup, recolho material reciclável, vendo bolos e, assim, a gente segue", contou.

Ajuda

Além do tênis, Samuel irá ganhar mantimentos, vestuário e outros donativos. Isso porque Pamela Alves Caetano, que trabalhou na loja no período das festas, publicou na rede social a atitude que ela e os outros vendedores da loja tiveram. Mais de 20 mil pessoas, de diversas regiões do País, se mobilizaram com o post. Pessoas do Acre, Pernambuco, Bahia e outros estados se ofereceram para ajudar Samuel de alguma forma. Na Baixada Santista, foram doadas cestas básicas e roupas para a família.

Post ganhou grande repercussão e teve vários compartilhamentos (Foto: Reprodução)

Samuel quer se formar em química e computação. Para isso, segundo Pamela, já existem pessoas que querem ajudá-lo. "Teve uma moça da Califórnia que entrou em contato comigo para bancar um curso de computação por um ano". Agora a ex-funcionária e a família do menino tentam se articular para poder viabilizar esse auxílio. 

"Já tive vários tênis. Mas nunca tinha ganhado um novo", disse Samuel, emocionado. As doações para ele e à família continuam. Assim como seu desejo de vencer na vida e de realizar os seus sonhos. 

Quem quiser ajudar o menino e a família pode entrar em contato com a Pamela pelo telefone (013) 997483316. 

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