Frei Betto: "É um erro colocar todas as fichas nas eleições de 2018"

Ele destaca a importância de reforçar os movimentos sociais para transformar o País

19/11/2017 - 10:25 - Atualizado em 19/11/2017 - 10:30

Frei Betto esteve em Santos para participar do Fórum Social (Foto: Fernanda Luz/A Tribuna)

Considerado um ícone na luta pela causa social, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, acredita que os brasileiros não devem depositar toda a esperança nas eleições de 2018. Segundo ele, muita coisa ainda tem de ser feita no Brasil. A começar pelo fortalecimento dos movimentos sociais.

Na sexta-feira (17), ele esteve em Santos, onde deu palestra na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) como parte da programação do 1º Fórum Social da Baixada Santista. 

Crítico, foi contundente em suas opiniões. "Sou uma pessoa, por índole e por espiritualidade, esperançosa. Mas considero um erro colocar todas as fichas da esperança nas eleições. Elas são importantes. Porém, mais importante do que isso é reforçar os movimentos sociais", defende.

Sobre a ideia da passividade atual do povo brasileiro, Frei Betto tem outra visão. "Os cidadãos não estão tão parados assim. O MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) tem reagido bem. A questão é que os protestos de rua praticamente se esgotaram com o Fora Dilma. As pessoas estavam contra o Governo do PT e tinham esperança que saindo a Dilma tudo ia melhorar. Tudo piorou".

Ao falar sobre o Governo Temer, Frei Betto voltou a citar a corrida eleitoral de 2018. "O Temer tem menos apoio popular do que a Dilma (segundo pesquisa, apenas 3%). Acredito, então, que estão colocando as esperanças nas eleições do ano que vem. Mas não adianta mudar quem ocupa a Presidência da República se não mudar o Congresso, se não mudar os governos estaduais e etc".

Bolsonaro

Quanto ao crescimento do pré-candidato Jair Bolsonaro (PSC-RJ) nas pesquisas para a Presidência da República, Frei Betto fala em "balão que vai se esvaziar". 

"Esse é um fenômeno que não me preocupa. Ele (Bolsonaro) é a pedra no caminho da direita e não tem apoio das Forças Armadas. Ele é considerado um estorvo nas Forças Armadas. O Bolsonaro está como mero balão de ensaio. Acho que se esvazia quando outros candidatos forem definidos".

Reformas

Frei Betto também foi firme ao criticar as reformas do Governo Temer. "A reforma trabalhista é um retrocesso de 80 anos. Os direitos foram conquistados com muita dificuldade. Então, é um retrocesso total, essa chamada flexibilização das leis trabalhistas. Espero que no futuro isso seja modificado e penso que a reforma da Previdência está condenada a um impasse total".

"Projeto de poder"

Sobre o PT, Frei Betto reafirmou sua frase de que o Partido dos Trabalhadores trocou um Projeto de Brasil, por um Projeto de Poder. "Prova disso é que em 13 anos fez apenas uma reforma estrutural, quando mexeu na aposentadoria do funcionalismo público. Hoje, o PT é vítima da reforma política que não fez. Se esperava, de acordo com o programa de governo do PT, que ele fizesse a reforma tributária, alguma reforma agrária, alguma regulação dos meios de comunicação social. Nada disso aconteceu, embora o PT tenha realizado grandes avanços e eu considero o governo do PT o melhor da nossa história republicana. Mas houve erros, dos quais resultou o golpe do Temer".

Ele destaca que receia que ocorra um replay (não fazer as reformas esperadas), caso o ex-presidente Lula (PT) vença em 2018. "Fico com receio que a candidatura do Lula, que considero muito importante, se eleito, a gente veja um replay de um processo que já ficou desgastado. Espero que não".

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