Flautista de Itanhaém alegra e emociona pacientes internados em UTI

Daniel Ribeiro, de apenas 15 anos, visita pacientes em hospitais de Santos

20/08/2016 - 10:26 - Atualizado em 20/08/2016 - 10:27

Após o adolescente de 15 anos tocar flauta para sua avó que estava internada, ele aceitou o convite para se apresentar nos leitos do hospital (Foto: Irandy Ribas)


O som se espalha como um analgésico para quem tem dor. A suave melodia da flauta acalma, alegra e emociona os pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Beneficência Portuguesa, em Santos. 

O responsável pelo tratamento humanizado tem apenas 15 anos e muito amor para distribuir por meio da música. Morador de Itanhaém, Daniel Ribeiro passa as tardes de sexta-feira no hospital santista. Faz o que mais gosta, e para quem mais precisa de carinho.

“Não queria o dom da música só para ganhar dinheiro, queria trazer conforto. Porque a música é confortável para quem houve. É uma emoção muito grande ver a expressão dos pacientes, médicos, funcionários. Me traz bastante paz”.

Daniel iniciou sua missão voluntária quando a avó, Maria Pupo Ribeiro, de 88 anos, precisou ser internada na Beneficência. Ela já está há aproximadamente dois meses na UTI. “Minha avó sempre foi minha apoiadora, gostava bastante quando eu me apresentava em Itanhaém. Como ela não pode mais ir, eu vim até ela para tocar”.

Ao ver o bem que a flauta fazia para a idosa, a equipe médica pediu para que o garoto ampliasse sua participação para todos os pacientes. “Foi uma porta que Deus abriu para mim”, diz o garoto.

Internada para tratamento de câncer, a aposentada Aparecida Falbo da Silva, de 68 anos, não segura as lágrimas com apresentação de Daniel. “Estou muito emocionada, filho. Não tem dinheiro que pague, palavras que expressem o que significa isso para quem está num leito, com dor, com desespero. Uma criança fazer isso, não tem amor igual”.

Daniel visita a Beneficência Portuguesa
 todas as sextas (Foto: Irandy Ribas)

Orgulho da família

Daniel começou a aprender a tocar flauta aos 4 anos, por influência de um tio e apoio da família. Aos 7 já dominava a flauta transversal, um dos mais difíceis instrumentos de sopro. Aos 11 entrou na Escola Municipal de Música de São Paulo, onde estuda até hoje. 

A mãe dele, Luciana de Fátima Ribeiro Souza, tem orgulho da atitude do filho. “Eu agradeço a Deus por essa oportunidade, de ele tocar para pacientes até terminais, usar esse dom em prol das pessoas que estão em um ambiente triste. Eu sei porque estou passando por isso, minha mãe está aqui. E a música enche nossa alma”.

Terapia

O médico cardiologista Philipe Saccab, coordenador da UTI cardiológica, é um incentivador do trabalho do adolescente. “Sabemos de inúmeras terapias usadas há milhares de anos, que são pouco aproveitadas em ambiente de terapia intensiva. A música é uma delas. Quando vi o Daniel tocando para avó, aquilo me tocou também. Percebi que poderíamos fazer mais pelos pacientes”.

“É muito lindo, maravilhoso trazer para uma pessoa que está tanto tempo no hospital, excluída do mundo lá fora, um pouco de alegria pela música”, diz Fabiana Falbo da Silva, que acompanha o tratamento da mãe na UTI.

Veja aqui uma das visitas de Daniel:



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