Favela no Morro do Itararé expulsa animais silvestres em São Vicente

Desde janeiro, 12 bichos-preguiça foram levados para o Parque Ecológico Voturuá

11/10/2017 - 10:19 - Atualizado em 11/10/2017 - 10:33

Aumento de animais resgatados coincide com o 
surgimento da comunidade (Foto: Arquivo)

A construção de uma favela Morro do Itararé, em São Vicente – uma área remanescente de Mata Atlântica – tem provocado desequilíbrio ambiental. Segundo biólogos, essa é a principal razão para o aparecimento de animais silvestres nas ruas do bairro, que faz divisa com Santos.

 

Desde janeiro, 12 bichos-preguiça foram levados para o Parque Ecológico Voturuá. Cinco estão em tratamento nessa unidade de conservação.

No último dia 19, um bicho-preguiça foi avistado em árvore nas imediações do VLT, em São Vicente. Com o apoio do Pelotão Ambiental da Guarda Civil Municipal (GCM), o animal foi removido da árvore e encaminhado ao Parque Ecológico Voturuá. 

Segundo Carla Cerqueira, bióloga do parque, o número supera o total de animais tratados no local nos últimos três anos. “Normalmente, recebíamos uma preguiça a cada dois meses”, compara.

O aumento coincide com o surgimento da comunidade, num terreno privado no Morro do Itararé. O loteamento irregular tem cerca de 30 unidades, com ligações clandestinas de água e luz.

Carla acredita que o desmatamento do local tem deixado animais sem comida. Ela menciona, porém, que não é de hoje que alguns bichos circulam nas vias consolidadas do bairro em frente ao mar. Eles normalmente se perdem do bando ou buscam alimentos nas casas e nos prédios mais próximos ao morro.

Cerca de 30 barracos já foram construídos no terreno (Foto: Irandy Ribas)

Mais bichos 

 

Moradores do entorno têm notado a maior quantidade de animais circulando na região. “De vez em quando apareciam um bicho-preguiça, um sagui, pássaros diversos. Mas, de um tempo para cá, aumentou bastante”, resume o porteiro Sebastião Moura de Souza. 

A dona de casa Maria Francisca da Silva testemunha que espécies nunca vistas antes agora são frequentes.

“Vi, por diversas vezes, esquilos. Eles bem são espertos. Se der bobeira, eles pegam a comida da sua mão”, diz. Ela afirma, ainda, ter observado tipos diferentes de pássaros, antes vistos somente a longa distância. “Eles devem estar com fome, pois nem têm medo da gente”.

A bióloga do Parque Ecológico Voturuá confirma essa percepção. Carla afirma ter crescido o número de esquilos que descem da mata e pedem comida aos visitantes do espaço. “Tivemos, até, que pôr uma placa pedindo que não os alimentem”.

Ela aconselha moradores que encontrarem algum animal silvestre a não o capturar. O temor é que o animal esteja doente ou possa se sentir acuado e ferir a pessoa. 

Carla recomenda acionar a Polícia Militar Ambiental, para que recolha o animal. Após o período de recuperação, eles voltam à natureza. Mas a bióloga espera que os bichos-preguiça sejam realocados para locais mais seguros.

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