Exército e Marinha dão continuidade à liberação de caminhões no Porto de Santos

Operação, iniciada na tarde desta quarta, tem como objetivo garantir acesso de veículos a terminais

31/05/2018 - 07:37 - Atualizado em 31/05/2018 - 13:30

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Mais de 1,5 mil militares do Exército, da Infantaria da Força Aérea e do Grupamento dos Fuzileiros Navais, com o apoio de soldados do Baep, acompanham nesta quinta-feira (31), a liberação de caminhões que estavam represados no ‘retão’ da Alemoa. Eles fazem a segurança dos veículos nos acessos ao Porto de Santos. A operação, que teve início por volta das 6 horas, ocorre após caminhoneiros autônomos decidirem manter a paralisação iniciada na Cidade há onze dias. 

Até o início desta tarde, cerca de 300 veículos de um total de 1 mil, que estavam parados no local há pelo menos uma semana, deixaram a região rumo aos terminais do cais santista.

Conforme o coronel Claudio Boaventura Martins, chefe da seção de comunicação social do Comando Militar Sudeste, com a concentração de militares espalhados pelo Porto, a ideia é criar um corredor de segurança para aqueles que desejem ter acesso aos terminais.

“Nosso objetivo aqui é proporcionar aos caminhoneiros segurança para que eles retomem as suas atividades, para que exerçam seus direitos de ir e vir. Nossa permanência aqui será até que todo o Porto de Santos esteja normalizado. Vamos ficar aqui 24h por dia, aguardando essa normalização”, explicou o coronel.

O tráfego de caminhões no local começou a ser restabelecido no final da tarde desta quarta-feira (30). A liberação só ocorreu 10 dias após o início da greve e, a partir de agora, a retomada das operações será coordenada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável por um plano logístico a ser implantado no cais santista.

A Reportagem esteve no local e conversou com o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Alexsander Viviani, que reforçou que a categoria permanecerá no local ao longo desta quinta-feira. A expectativa, segundo ele, é de que as negociações com o governo estadual avancem nos próximos dias.

Ainda conforme Viviani, apesar da operação, apenas caminhões contratados por empresas portuárias, estão deixando o local de paralisação. Os quase 6 mil autônomos, que atuam na Baixada Santista, seguem paralisados. 

Conforme o coronel Martins, mesmo com a liberação do trânsito de caminhões, não haverá nenhuma ação contra os caminhoneiros, uma vez que “é livre o direito de manifestação”. 

A operação teve início por volta das 17h30, quando os caminhoneiros começaram a deixar os bloqueios montados em três pontos do complexo santista. Eles estavam concentrados na Avenida Augusto Barata (Retão da Alemoa), na Praça da Fome, no Valongo, e ainda na Rua Idalino Pinez, conhecida como a Rua do Adubo, na Margem Esquerda, em Guarujá. Apesar de pequenos, os grupos impediam o acesso de caminhões carregados com cargas ao Porto e alguns só deixaram esses locais após a chegada das tropas.

Vias do entorno desses pontos e até o acesso à Rodovia Anchieta chegaram a ser interditados durante a operação, coordenada pelo Exército. A ação foi desencadeada pouco antes da chegada ao local do governador Márcio França (PSB), que viajou a Santos num helicóptero da Polícia Militar e também se reuniu com representantes dos caminhoneiros na região. 

Caminhoneiros autônomos protestam há 11 dias 
(Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

As tropas do Exército e da PM estabeleceram um corredor de segurança com o objetivo de retirar cerca de 250 caminhões que impediam o acesso de cargas ao Porto. A partir da liberação total das vias, o que ainda não tem data para acontecer, a Antaq pretende implantar seu plano logístico de emergência.

“O nosso plano de liberação das operações passa, necessariamente, por um acerto com todos os usuários do Porto. Temos feitos algumas reuniões com os terminais e estamos montando uma estratégia de retomada à atividade”, disse o diretor-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), José Alex Oliva, no início da noite de ontem, em entrevista na sede da empresa. 

Desde a segunda-feira da semana passada (21), os terminais portuários deixaram de receber cargas de exportação e as mercadorias de importação ficaram retidas nas instalações portuárias. Isto fez com que mais de 80% da capacidade de armazenagem do Porto ficassem comprometidas. 

Diversos navios permanecem fundeados à espera de cargas. Além disso, os cerca de 10 mil caminhões que entram e saem do cais santista diariamente também ficaram represados. Apenas os prejuízos do setor da navegação atingem a marca de R$ 375 milhões. 

Mas, segundo o diretor-presidente da Codesp, José Alex Oliva, as operações do Porto foram mantidas e as vias do cais santista não estavam bloqueadas. Para o executivo, as operações foram apenas reduzidas, diante da grande participação do modal rodoviário nas operações, equivalente a 68% de todo o transporte de cargas no cais santista. 

“A Codesp atuou de forma discreta. Se as ações viessem a público, seriam motivos de ataques e isso nós evitamos”, destacou o executivo.

Governador de São Paulo veio a Santos negociar com
a categoria (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

Ações judiciais

Apesar da atuação das autoridades do Porto, a situação chegou a um ponto que levou os terminais a ajuizarem ações para garantir o acesso das mercadorias ao cais. No entanto, mesmo com as decisões favoráveis dos juízes, foi necessário aguardar o deslocamento das tropas do Exército e da PM para o cumprimento das medidas, o que agravou mais a situação. 

“Recorremos à Justiça e diversos processos jurídicos foram feitos, mas não havia escoltas suficientes. Foram priorizadas cargas para hospitais, combustíveis para postos”, explicou o presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Terminais de Líquidos (ABTL), Mike Sealy. 

De acordo com a Codesp, o Comitê de Crise da estatal realizou reuniões periódicas com representantes da Comissão Local das Autoridades do Porto de Santos (Claps) e da Comissão Estadual de Segurança Público nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Cesportos), objetivando restabelecer a normalidade nas operações portuárias. Segundo a Companhia Docas, os encontros aconteciam sob o comando da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea.

Até a manhã de quarta-feira, no entanto, ainda não havia solicitação para a desobstrução das vias portuárias, segundo o general Alexandre Porto, responsável pela corporação. “Se esse fluxo de caminhões não chegar até (o Porto de) Santos, deveremos fazer algo parecido. Até agora, estamos fazendo (ações) sob demanda. Vem a solicitação, fazemos a escolta, nos reunimos no gabinete de crise e definimos atribuições a cada um dos órgão”, destacou em entrevista coletiva.

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