Estado quer garantir universidade a todos até julho de 2019

A expectativa é abrir até 280 mil vagas públicas de ensino a distância na Univesp

12/10/2017 - 14:38 - Atualizado em 12/10/2017 - 15:07

Até julho de 2019, o governo paulista tem uma meta: tornar universal o acesso dos estudantes da rede estadual ao Ensino Superior. A expectativa é abrir até 280 mil vagas públicas da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), na modalidade de ensino a distância (EaD).

O anúncio foi feito na quarta-feira (11) pelo vice-governador e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio França. O ex-prefeito de São Vicente e pré-candidato pelo PSB ao governo paulista participou da 15ª reunião ordinária do Rotary Club de Santos.

No encontro, o vice-governador comentou sobre os desafios do Estado para a retomada do crescimento econômico e defendeu a ampliação de centros de formação de mão de obra especializada como “receita para superar a crise”.

Segundo França, a expansão da Univesp vai acontecer por etapas. A primeira fase está prevista para janeiro do próximo ano, quando o polo de ensino a distância vai ampliar a oferta de vagas para cerca de 35 mil estudantes. Atualmente, a instituição – que oferece cursos semipresenciais – tem 16 mil alunos matriculados nos cursos de Engenharia, Matemática e Pedagogia.

Atualmente, a instituição tem 16 mil alunos matriculados (Foto: Irandy Ribas/AT)

No segundo semestre de 2018, os planos são duplicar a oferta para 70 mil vagas. Esse número passará para 140 mil em janeiro seguinte e 280 mil, em julho de 2019. “Ocasião em que todos os meninos e meninas que se formarem (no Ensino Médio) em São Paulo poderão fazer uma faculdade gratuita pelo Estado”.

Expansão virtual

França explica que anualmente são abertas 45 mil vagas presenciais para as três universidades públicas paulistas – USP, Unesp e Unicamp. “É uma quantidade enorme, mas ainda pequena para atender aos alunos que se formam no Ensino Médio”.

Boa parte dessas cadeiras é ocupada por estudantes oriundos da rede privada e também de outros estados brasileiros. Apenas uma pequena fração é destinada aos pouco mais de 450 mil alunos que se formam no Ensino Médio da rede estadual paulista.

Até 85% dos matriculados nos cursos a distância vêm de escolas públicas. E mais de 100 sedes físicas são distribuídas pelos municípios.

Orçamento

Juntos, os três principais centros de excelência em produção científica – USP, Unesp e Unicamp – consomem a maior parcela dos quase R$ 15 bilhões do orçamento da pasta sob a gestão de França. “(Por questões financeiras) nunca será possível conseguir instalar universidades presenciais em todo os lugares. Hoje, a tecnologia permite fazer com qualidade os melhores cursos a distância”, assegura.

O vice-governador pondera que a formação virtual tem idêntico conteúdo pedagógico e grade curricular similar ao modelo tradicional. “Os alunos que se formam em Cananeia, na Ilha do Cardoso, por exemplo, vão ter no diploma escrito Univesp/USP”.

Economia Criativa

Como alternativa para atrair mais desenvolvimento, França aposta também em formações técnicas voltada à economia criativa. “A cada ano, a atividade industrial diminui 5% na Europa e aumenta 5% na economia criativa. Essa é uma tendência mundial”, diz.

O plano do Palácio dos Bandeirantes é levar unidades da Escola de Técnicas de Economia Criativa (Etecri) para 100 cidades paulistas. “São mais de 120 mil vagas em cursos de rápidos, com formação em até cinco meses”.

Santos e São Vicente já contam com polos com esse tipo de ensino, que transforma o estudante em empresário autônomo, gerando renda e trabalho.

Crescimento

França indicou três fatores que fazem dos municípios paulistas o motor da economia nacional: estabilidade política, infraestrutura logística e avanço tecnológico. Segundo ele, a capacidade técnica paulista tem relação com a política de expansão dos polos universitários públicos para o Interior do Estado.

Ele argumenta que cursos superiores são responsáveis pelo desenvolvimento de centros urbanos. E usa como exemplo as regiões de São José dos Campos, que concentra conglomerados automobilístico e aeroviário, e Campinas, um dos principais parques farmacêuticos e industriais.

Essas localidades são atualmente centros de referência em geração de pesquisa científica, qualificação de mão de obra especializada e atraem grande volume de investimentos internacionais. “São Paulo tem 420 mil alunos cursando ensino universitário gratuito. É a maior rede pública do mundo. Nem a China tem uma rede pública desse tamanho”.

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