Estado quer antecipar mais uma vez data da campanha contra febre amarela

A decisão, confirmada pelo secretário de Saúde, David Uip, tem como objetivo poupar os estoques do imunizante

17/01/2018 - 20:44 - Atualizado em 17/01/2018 - 21:51

Imunização na campanha contra febre amarela ocorrerá com dose fracionada (Foto: Fotos Públicas)

A data de início do fracionamento de vacina contra febre amarela em São Paulo poderá ser novamente antecipada. Inicialmente, a data divulgada para o início da campanha era 3 de fevereiro. Depois, passou para o próximo dia 29. A decisão de estudar uma nova data para o início da campanha foi confirmada à Reportagem de A Tribuna On-line pelo secretário de Saúde, David Uip, na noite desta quarta-feira (17).

O objetivo é poupar os estoques do imunizante. "A data ainda não foi definida. Mas estamos estudando", contou o secretário. Inicialmente, a informação que constava nesse texto, divulgada pela agência Estadão Conteúdo, confirmava a antecipação da campanha para alguma data entre os dias 22 e 29.

Procura aumentou

O Estado de São Paulo assiste a uma corrida pela vacina. Postos de saúde têm reunido filas de até oito horas de espera. A reação teve início depois da divulgação da notícia de que a campanha de fracionamento seria realizada. "Muitas pessoas que não têm indicação da vacina estão procurando os postos", contou Uip.

Pessoas idosas, que já foram vacinadas, buscam os pontos de vacinação na esperança de ter uma proteção "reforçada." Um erro, alertam os especialistas em saúde pública. Além de não aumentar a proteção, a aplicação da vacina de forma repetida, em um curto espaço de tempo, aumenta o risco de reações adversas.

Os que enfrentam as filas buscam, ainda, evitar a vacina fracionada, com receio de que ela tenha uma proteção reduzida quando comparada à vacina integral. Estudos mostram que a dose fracionada tem o mesmo efeito protetor. O que varia é o tempo dessa proteção. 

Além de um risco desnecessário e da perda de tempo numa fila, a aplicação de vacinas em doses integrais para pessoas que não têm risco de contrair a doença desorganiza o plano de uso dos estoques do imunizante. São Paulo pretende vacinar 8,3 milhões de pessoas em 54 municípios considerados prioritários. "O plano permanece. Vamos adotar essa estratégia, apenas antecipando a campanha", disse Uip.



Atendimento

São Paulo concentra o maior número de casos e de óbitos nessa nova onda de febre amarela. Desde o ano passado, foram confirmados 40 casos, com 21 mortes. Uip atribui a alta letalidade à subnotificação. "Casos leves muitas vezes não são nem notificados", observa. Pacientes em estado grave são referenciados para o Hospital Emílio Ribas e o Hospital das Clínicas. 

A febre amarela pode afetar de forma grave o fígado, levando o paciente a necessitar de um transplante. Diante do risco de aumento da demanda, São Paulo já determinou que casos graves para transplante de fígado sejam encaminhados para o Hospitais de São José do Rio Preto e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Veja Mais