Estado confirma morte de morador de Itanhaém por febre amarela

Homem de 34 anos morava em uma área rural da Cidade; caso deve constar em boletim epidemiológico

09/02/2018 - 14:28 - Atualizado em 09/02/2018 - 20:57

O morador de Itanhaém que morreu em 29 de janeiro com suspeita de febre amarela teve mesmo a doença. Por telefone, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde confirmou a informação e informou que o caso deve constar no boletim epidemiológico a ser divulgado nesta sexta-feira (9). É o primeiro caso confirmado na Baixada Santista.

O homem tinha 34 anos e era morador do bairro Rio Branco, na área rural de Itanhaém, de acordo com a Prefeitura.

Ele deu entrada em 26 de janeiro na UPA local, com dor de cabeça, vômito, dores nas costas e perda de apetite. Depois de ser encaminhado para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em Guarujá, o homem morreu no dia 29.


Contatada por A Tribuna On-line, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Itanhaém informou que o secretário municipal de Saúde, Fábio Crivellari, confirmou a morte por febre amarela.

As autoridades de saúde previam que a febre amarela chegaria à Baixada Santista por conta da análise da disseminação dos vírus pelos corredores ecológicos.

Por isso, as nove cidades da região foram incluídas na campanha preventiva de vacinação, iniciada no último dia 25. Entretanto, a adesão ao mutirão está baixíssima, o que tem preocupado as autoridades.

Dos 1,5 milhão de moradores da Baixada Santista que devem ser imunizados contra a febre amarela, só 208.316 tomaram a vacina até o momento. Isso representa apenas 13% do público-alvo. O Governo do Estado deve prorrogar a campanha, conforme apurou A Tribuna On-line.

"Grande parte das pessoas está com medo de reações da vacina", admite a diretora de Imunizações da Secretaria de Estado da Saúde, Helena Sato. "A vacina é excelente. O risco de eventos adversos é extremamente raro, muito menor que o risco de complicações que o vírus que causa a doença pode levar".

Suspeitos

No início da tarde dessa quinta-feira (8), a diretora do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) da Secretaria de Estado da Saúde, Iraty Nunes, revelou haver 17 casos suspeitos da doença, dos quais três evoluíram para mortes. Ela não quis dizer de quais cidades eram as ocorrências.

No fim da tarde, porém, a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado, Regiane Aparecida Cardoso de Paula, negou categoricamente que haja 17 notificações, embora tenha admitido que alguns casos da região possam aparecer entre os investigados em boletim epidemiológico a ser divulgado nesta sexta-feira.

"Estou dizendo com todas as letras: hoje nós não temos 17 casos notificados na Baixada Santista", falou. "Houve um erro da Iraty. Ela tem experiência enorme, mas estamos sob forte pressão".

A Tribuna tentou, mas não conseguiu falar com Iraty novamente após a declaração de Regiane.

Informações das prefeituras

De concreto, há as informações das Prefeituras. Além do caso de morte de Itanhaém, as administrações municipais de Santos e São Vicente admitiram que estão investigando suspeitas de febre amarela. Os outros seis municípios da região negaram ter casos suspeitos.

Em Santos, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu a notificação de um caso suspeito de febre amarela. Trata-se de um homem, de 26 anos, que está em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Ana Costa.

Segundo a chefe do Departamento de Vigilância em Saúde de Santos, Ana Paula Valeiras, a equipe médica do hospital incluiu a febre amarela no rol de suspeitas porque o paciente trabalha em São Paulo. Em algumas áreas da Capital existe a circulação do vírus.

Na segunda-feira (5), foram feitos exames para detecção de dengue, febre amarela, leptospirose e hantavirose - doença comum na Tailândia, onde o homem esteve em julho e novembro de 2017.

Em São Vicente, uma mulher de 53 anos, que viajou recentemente para uma área de risco, não informada pela Prefeitura, tem suspeita de febre amarela. Segundo a Administração, ela está sendo monitorada, não apresenta mais sintomas e possui a função hepática sem alterações.

Os procedimentos de investigação só serão finalizados após a emissão do resultado dos exames encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz.

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