Especialista questiona obrigação de laudo para vacinar idosos

Relatório médico só seria necessário para acima de 60 anos com problemas de saúde

01/03/2018 - 16:30 - Atualizado em 01/03/2018 - 16:32

Campanha de vacinação contra a febre amarela vai até essa sexta-feira (2) (Foto: Agência Brasil/AT)

Idosos acima de 60 anos e que não tenham as restrições previstas pelo Ministério da Saúde (veja abaixo) não precisam de laudo médico para tomar a vacina contra a febre amarela. Segundo especialistas, a imunização para esse público prevê apenas que o interessado repasse algumas informações ao profissional de saúde (triagem), antes de ser vacinado.

Com previsão de terminar nesta sexta-feira (2), a campanha de vacinação contra a doença não tem obtido bons índices na região. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, a meta era imunizar 1,5 milhão de pessoas, mas até terça-feira (27) apenas 31,1%, ou pouco mais de 466 mil pacientes, foram vacinados na Baixada Santista, que tem o menor índice de cobertura vacinal do Estado.

Dúvidas

Conhecida pela grande concentração de idosos, a região pode estar na situação de baixa procura pela vacina diante das dúvidas que têm cercado principalmente quem passou dos 60 anos. A necessidade do laudo médico seria uma delas.

Recentemente, o aposentado santista Carlos Gama viveu a situação. “Tinha marcado consulta para o dia 15 para avaliação e aproveitaria para falar com o médico sobre a vacina. Porém, no dia da consulta fui à Policlínica da Encruzilhada e soube que o médico estava de licença. A consulta foi remarcada para 8 de março. Então, disse que precisava falar com um médico sobre a vacina. Um funcionário da Policlínica me respondeu que antes de tomar a vacina teria de passar por exames”, comenta. 

Sabendo que o prazo para a vacinação termina amanhã, Carlos decidiu procurar outro posto e tomar a vacina, sem a necessidade de laudo médico.

Ontem, por meio da interatividade na página de A Tribuna no Facebook, algumas pessoas confirmaram que foram questionadas sobre o laudo médico antes de tomar a vacina.

“Essa necessidade de laudo médico não existe. Alguns pacientes me procuraram para falar sobre essa exigência. Alguns até disseram que em Santos estavam fazendo o paciente assinar um termo de responsabilidade antes de tomar a vacina. É preciso garantir a segurança do cidadão, mas sem burocratizar uma campanha tão importante como esta”, diz o médico infectologista Evaldo Stanislau.

Defendendo que a imunização é fundamental para se evitar a disseminação do vírus da febre amarela na região, Stanislau cita que a Prefeitura de Santos publicou em sua página na Internet a informação: “pessoas com mais de 60 anos também precisam levar autorização médica por escrito”. “Essa informação tem causado confusão nas pessoas com mais de 60 anos. Muitas, inclusive, já estavam com medo da vacina e, com isso, com certeza, ficaram ainda mais assustadas”.

Resposta

A chefe do Departamento de Vigilância Sanitária de Santos, Ana Paula Valeiras, diz que na Cidade o que tem sido feito é uma triagem com pessoas acima de 60 anos que não tenham declaração médica. “A declaração é para idosos que tenham algum tipo de restrição ou que façam algum tipo de tratamento de saúde”, explica.

De acordo com Ana Paula, a triagem é para quem não tem a declaração médica e passou dos 60 anos. “A triagem é para que saibamos se a pessoa está apta ou não. É uma orientação a mais e que o paciente não precisa assinar”, diz, lembrando que todos os funcionários dos postos santistas foram orientados, mas que vai verificar o caso envolvendo o aposentado Carlos Gama.

Conforme o Ministério da Saúde, devem tomar a vacina “todas as pessoas a partir de dois anos, sem comprovação de vacinação, inclusive idosos e indígenas, exceto as com alguma contraindicação ou com recomendação de receber a dose padrão”.

Confira as restrições à vacina:

  • Crianças menores de 9 meses;
  • Mulheres amamentando crianças menores de 6 meses;
  • Pessoas com alergia grave a ovo;
  • Pessoas que vivem com HIV e que têm contagem de células CD4 menor que 350;
  • Pessoas em tratamento com quimioterapia ou radioterapia;
  • Pessoas portadoras de doenças autoimunes;
  • Pessoas submetidas a tratamento com imunossupressores (que diminuem a defesa do corpo).

Taxa de imunização da região é uma das menores do Estado de São Paulo (Arte: Monica Sobral/AT)

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