Escolas da Baixada Santista ficam abaixo da média estipulada pelo Ideb

Avaliação bienal do MEC aponta que cidades da Baixada Santista tiveram mau desempenho no índice acadêmico

05/09/2018 - 18:00 - Atualizado em 05/09/2018 - 18:00

Peruíbe e São Vicente tiveram as piores médias, segundo levantamento (Foto: Arquivo/ AT)

As nove cidades da Baixada Santista ficaram abaixo da meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para os anos finais do Ensino Fundamental (8ª e 9º anos). O índice, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) a cada dois anos, funciona como o principal indicador da qualidade do ensino no Brasil.

Das nove cidades da região, Bertioga apresentou piora na nota das escolas estaduais e Santos teve a mesma pontuação da edição anterior do levantamento, tanto no ensino público municipal quanto no estadual. Os ensinos municipais de Peruíbe (nota 4.3 e meta 5.3) e São Vicente (nota 5.8, meta 5.8) foram os que mais se distanciaram dos objetivos estipulados. 

Para especialistas, os índices provam que a atenção nacional se voltou muito aos primeiros anos do ensino básico e, até agora, ninguém sabe o que fazer para consertar o que é considerado um problema crônico na educação: a continuidade do aprendizado até o Ensino Médio. Na Baixada Santista o mesmo resultado negativo já tinha sido observado nas edições de 2013 e 2015 do Ideb, com exceção de que há dois anos Santos tinha conseguido chegar na meta, pelo menos nas escolas estaduais. 

“Quando você fala de anos iniciais, do primeiro ao quarto ano, se tem mais clareza do que fazer para um bom desenvolvimento. Nos anos finais e Ensino Médio é muito mais complexo. É preciso levar em conta a evasão escolar, organização do ensino e desinteresse do aluno, principalmente o que precisa trabalhar. Com isso, praticamente estamos estagnados ou muito abaixo do esperado”, opina Romualdo Portela de Oliveira, professor titular na faculdade de educação da USP, mestre em Educação e especialista em Política Educacional, sobre o quadro da Baixada Santista e do Brasil. 

A opinião está afinada com o que explica a Secretaria de Educação de Santos, sobre seu desempenho. Apesar de o município destacar que no 9º ano seu índice (5.0) está acima dos nacionais, dos Estados e dos municípios em geral, é preciso mais, já que a meta determinada pelo MEC não é atingida (veja ao lado). 

“Os resultados nos fazem refletir sobre a política da formação. Nosso investimento será ainda mais focado no professor, no fortalecimento das equipes gestoras e no fomento das formações na escola e com grupos de escolas do mesmo território, evidenciando as boas práticas, estudos de caso, além do apoio dos técnicos da Secretaria para aprimorar os conceitos e as metodologias”, destaca a chefe do Departamento Pedagógico, Helena Marques.

Patrícia Mota Guedes, gerente de pesquisa e desenvolvimento do Itaú Social, instituição que colabora para o desenvolvimento da educação no País, a formação dos professores é crucial para resolver o problema.

Motivos do gargalo

“São muitos os motivos para os anos finais do Ensino Fundamental serem um gargalo onde a exclusão mais se intensifica. Além do aluno ganhar vários professores diferentes depois do quinto ano, precisamos lembrar da formação desses docentes e da didática de como ensinar esse estudante pré adolescente e adolescente. Existe outro desafio: o do plano de carreira e a valorização dos professores. Como eles vão se dedicar a uma escola se precisam trabalhar em várias?”, questiona. 

Romualdo de Oliveira complementa com outra questão. Segundo ele, se os governos e sociedade não se atentarem às desigualdades entre as escolas, independentemente se baterem as metas, a educação fará seu papel inverso. “Trará desigualdade. Pois uma parcela estará ficando para trás e, portanto, o sistema educacional estará legitimando o processo de exclusão”. 

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