Eleitorado com mais de 70 anos aumentou nos últimos oito anos

O crescimento de 50% afeta a representatividade da Baixada Santista

18/03/2018 - 19:03 - Atualizado em 18/03/2018 - 19:12

Levantamento feito por A Tribuna na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que o grupo de eleitores da Baixada Santista com mais de 70 anos cresceu 49,5% nos últimos oito anos (entre as eleições de 2010 e de 2018). A expansão nesse recorte da população – cujo comparecimento às urnas é opcional – foi cinco vezes superior ao incremento geral, que teve alta de 9,2% em igual período. 

As cidades da Baixada Santista tinham 88.788 eleitores acima de 70 anos em 2010, que representavam 7,3% do eleitorado total, de 1.218.628; hoje, eles são 132.694 – e já abarcam 10% dos 1.330.805 votantes. Os números locais estão acima da média nacional: entre 2010 e 2018, o eleitorado brasileiro com mais de 70 anos cresceu 34,6%.

Na comparação apenas com a última eleição geral (2014), a diferença torna-se maior. Entre os mais velhos, o crescimento verificado nos últimos quatro anos foi de 23,6%; entre o eleitorado geral, 11,7%. 

Atualmente, um em cada dez eleitores da Baixada Santista tem mais de 70 anos (9,98%). Em 2010, por exemplo, esse público representava 7,28% dos cadastrados para participar do pleito (ou um em cada 14). Quatro anos depois, o recorte subiu para 8,32% (um em cada 12).

Abstenção

Na última corrida presidencial, em 2014, o crescimento do grupo de eleitores com idade superior a 70 anos explicou o alto número de abstenções: um em cada quatro eleitores (25%) não compareceu às urnas na região. Constam nessa lista idosos no cadastro de votantes, mas que já faleceram ou mudaram de endereço – quantidade desconhecida, porque a atualização ocorre apenas quando é feito o recadastramento.

Mais velha

O envelhecimento da população local explica essa escalada. Projeções da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) indicam que a tendência é de aceleração no tipo da pirâmide etária (ocupada pelos mais velhos).

Números do TSE comprovam que o comparecimento às urnas despenca depois que o eleitorado atinge essa faixa etária. Na região, por exemplo, a taxa de abstenção nesse grupo é mais do que o triplo da verificada entre quem tem 18 e 69 anos. “Isso tem um impacto direto com a representatividade da região no Congresso e na Assembleia Legislativa”, resume o cientista político Fernando Chagas.

De acordo com o TSE, no primeiro turno de 2014, 64% dos eleitores com mais de 70 anos não foram votar. Entre aqueles com 60 e 69 anos – cujo comparecimento é obrigatório –, a taxa de abstenção foi de apenas 16%. 

No grupo de eleitores de 18 a 69 anos, a ausência ficou em torno de 20%. Para Chagas, os números indicam que a falta não sobe com a idade, exceto quando o votante completa 70 anos. 

Conforme pondera o cientista político, a região teria condições de eleger três deputados federais e até quatro estaduais. No Congresso Nacional, o número só foi alcançado graças ao quociente eleitoral – fórmula que divide a votação de cada partido pela quantidade de eleitores.

Puxados por votos

O ex-vereador de Guarujá Marcelo Squassoni (PRB) e os ex-prefeitos de Santos João Paulo Papa (PSDB) e Beto Mansur (PRB) foram auxiliados com os famosos “puxadores de votos”. 

Para as cadeiras na Assembleia Legislativa (Alesp), contudo, apenas dois políticos da região obtiveram número suficiente de votos: Caio França (PSB) e Cássio Navarro (MDB). “As conquistas políticas de uma região dependem do número de seus representantes”. 

Para o também cientista político Alcindo Gonçalves, o envelhecimento da população não é o único fator a determinar a ausência nas urnas. Ele indica também o desinteresse de parcela da população devido aos consecutivos escândalos políticos. E a baixa punição financeira àqueles que faltam nas eleições. “É evidente que haverá uma significativa redução de votos válidos”.

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