Doença causada por pombo leva jovem de Santos ao hospital

Garoto contraiu pneumonia por fungo nas fezes

14/10/2015 - 10:50 - Atualizado em 14/10/2015 - 14:41

Um estudante de 16 anos, morador de Santos, está internado há 10 dias no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, com uma pneumonia provocada por fungos das fezes dos pombos. O diagnóstico foi confirmado pelos exames feitos no hospital. O quadro de saúde do garoto chegou a se agravar no início, mas agora ele vem respondendo bem ao tratamento feito com antifúngicos.

Pai do adolescente, o empresário Fabrício Julião conta que o filho começou a passar mal no apartamento onde mora, na Rua Minas Gerais, no Boqueirão. Bem ao lado do prédio há uma casa com sinais de abandono, repleta de pombos. Todos os dias as aves pousam na janela do quarto do estudante. 

“Começou com febre e dor de garganta. Procuramos atendimento em Santos e diagnosticaram com virose. Mas ele não melhorou e resolvemos ir para São Paulo, onde ele chegou para uma consulta e foi internado na mesma hora. Ele também teve erupções na pele e precisou receber oxigênio”.

Mesmo após o ar-condicionado ser removido, pombos continuaram no prédio 

Julião ficou impressionado quando resolveu fazer a limpeza do aparelho de ar-condicionado, instalado há pouco mais de um mês, no quarto do filho. Nesse pouco tempo, a máquina virou ninho de pombos, com fezes por todos os lados.

“Eles se proliferam e ainda há locais abandonados que pioram a situação. Fazemos denúncias, mas o Poder Público não se manifesta. Aí acontece isso”.

Questionada por A Tribuna, a Prefeitura de Santos enviou agentes da Seção de Vigilância e Controle de Zoonoses (Sevicoz) ao imóvel citado como abandonado. “A Sevicoz não localizou o proprietário no local e tenta contatá-lo de outras formas para passar as instruções de procedimentos necessários. Há vegetação alta no quintal e uma janela aberta no andar superior, o que facilita o acesso aos pombos”, informa, em nota.

Ratos com asas

O médico pediatra Sulim Abramovici, que atendeu o adolescente no Hospital Albert Einstein, explica que as infecções causadas pelos pombos são preocupantes. O contágio é feito pela inalação das fezes secas das aves junto com a poeira. O principal fungo presente é o cryptococcus, mas existem outros que também podem comprometer os pulmões.

“É importante fazer um alerta, porque não tomamos muito cuidado com a limpeza do ar-condicionado ou dos parapeitos das janelas. Os pombos são um problema até em hospitais. A pneumonia por fungos pode ser grave, principalmente em pacientes imunodeprimidos (com baixa imunidade)”.

O infectologista Jacyr Pasternak, que atua no mesmo hospital, afirma que as fezes de pombo também podem causar histoplasmose, outro tipo de infecção dos fungos. “E também ornitose, uma doença pulmonar rara causada pela (bactéria) Clamídia. Pombos são ratos com asas”.

Em 2012, Santos tinha aproximadamente 200 mil pombos, segundo estudo feito pelo veterinário Eduardo Ribeiro Filetti. E, segundo ele, o número não parou de crescer. Filetti defende o controle da população de pombos com o uso de anticoncepcional que poderia ser oferecido às aves em forma de comida.

“Existe uma desproporção de pombos, porque têm alimento em abundância, principalmente no Porto. Temos que melhorar o piso do Porto, os caminhões que transportam e deixam grãos caírem”.



Defesa

Filetti, porém, defende os pombos. Para ele, nem todas as doenças atribuídas às aves são verdadeiras. Ele aponta a toxoplasmose, que só poderia ser transmitida em caso de consumo da carne crua do pombo, o que não acontece no Brasil.

O veterinário também garante que ninguém vai ficar doente porque foi ‘batizado’ com fezes de pombo na cabeça enquanto andava na rua.

“As fezes úmidas não causam essas doenças. O problema são as secas, que ficam no ar-condicionado ou dentro dos armazéns, as pessoas respiram e se contaminam. Por isso é necessário jogar água na hora de limpar, para não ficarem em suspensão”.

Filetti diz, ainda, que notou aumento de vermes típicos dos seres humanos, como a giárdia, nas fezes dos pombos. “Esse contato próximo está fazendo com que eles peguem nossas doenças também”.

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