Dobra incidência de raios na Baixada Santista, diz levantamento

Pesquisa mostra que 34,6 mil raios caíram na região de janeiro a novembro de 2017

03/01/2018 - 07:43 - Atualizado em 03/01/2018 - 07:56

70% das descargas ocorrem na primavera e verão,
devido à umidade e calor (Foto: Ronaldo Barreto/AT)

A incidência de raios na Baixada Santista quase dobrou de 2016 para 2017. E as altas temperaturas e a umidade típicas do verão exigem cuidado redobrado: até 70% das descargas elétricas ocorrem nos três meses mais quentes do ano.

É o que alerta o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Levantamento inédito do órgão, obtido pela Reportagem, indica que, de janeiro a novembro, ao menos 34.678 raios caíram nas nove cidades locais.

A quantidade é 96,15% superior à incidência do fenômeno em igual período de 2016, quando se registraram 17.680 descargas elétricas na região.

Segundo o Elat, a quantidade de raios superou a média histórica local. Em 2015, por exemplo, foram catalogadas 28.254 descargas elétricas na região. Itanhaém e Bertioga concentram a ocorrência mais frequente desse fenômeno: ambas com 8.554. Os dois municípios têm as mais extensas praias – 30 e 33 quilômetros, respectivamente.

Santos aparece na sequência com 5.430 raios, quantidade até três vezes superior ao do ano anterior (1.832). O órgão explica esse aumento com o maior volume de chuvas. Peruíbe (3.732), Guarujá (2.238) e São Vicente (2.168) completam o ranking das cinco primeiras colocações.

Quando se considera o tamanho do território, o levantamento põe Cubatão como o município com maior média regional: são mais de 10,26 raios por quilômetro quadrado (km²) – ou 1.698 entre janeiro e novembro de 2017. O número é classificado como altíssimo na incidência do fenômeno e dá à Cidade a 28ª posição no Estado em descargas.

De acordo com o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior, as características geográficas de Cubatão são responsáveis pelos números elevados. A umidade acima da média, decorrente do manancial que corta a Cidade e do cinturão verde formado pela Serra do Mar, aumenta a ocorrência de raios. Contribui, ainda, a poluição atmosférica, que facilita à formação de tempestades. Mongaguá (1.308) e Praia Grande (1.006) fecham a lista.

Mortes

Segundo o Elat, o Brasil é líder mundial na incidência de raios, com 50 milhões de descargas por ano. Entre 2000 e 2016, cerca de 2 mil pessoas morreram em consequência de descargas elétricas no País. Desse total, 76% ocorreram no verão e na primavera.

Osmar Pinto Júnior comenta que a maioria dos acidentes com raios acontece ao ar livre. É por essa razão que as praias e os descampados devem ser evitados assim que uma tempestade se forma, em especial durante aquelas estações do ano.

Um estudo do Elat menciona que, a cada 50 óbitos por raio no mundo, um acontece no Brasil. E que, em média, 300 brasileiros por ano são atingidos por descargas elétricas, provocando-se ao menos 100 vítimas fatais.

A prevenção continua sendo o principal meio para evitar mortes provocadas por raios. Durante as tempestades, a recomendação é evitar locais altos, não sentar embaixo de árvores nem deitar no chão. Também se deve manter distância de locais com poças de água e objetos que possam conduzir eletricidade, como linhas de energia e cercas de arame farpado.

Para se ter ideia, a descarga gerada por um relâmpago tem intensidade mil vezes maior que a corrente elétrica que passa por um fio de chuveiro elétrico. A temperatura de um raio pode chegar a 30 mil graus Celsius, cinco vezes mais elevada que a do sol.

Campanha

A Defesa Civil do Estado de São Paulo deu início, no dia 1º de dezembro, à Operação Chuvas de Verão.

A ação se estende até 31 de março, e consiste em uma campanha informativa sobre os riscos representados por descargas elétricas.

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