Detran-SP desmistifica truques para escapar do bafômetro

Médico alerta que não há como enganar o aparelho; álcool pode demorar 10 horas para deixar o organismo

27/03/2018 - 18:05 - Atualizado em 27/03/2018 - 18:05

Tomar vinagre, refrigerante, usar antisséptico bucal, chiclete ou ficar duas horinhas sem beber... Estes ou outros truques alteram o resultado do teste do etilômetro, popularmente conhecido como bafômetro. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), muitas notícias falsas e ensinamentos sobre o assunto são publicados nas redes sociais, mas não passam de mitos.  

Com o objetivo de acabar com as informações mentirosas, um funcionário do órgão inclusive gravou um vídeo para desvenda os “Mitos e Verdades” sobre o bafômetro. 

Segundo o gastroenterologista, José Luiz Capalbo, o aparelho mede o álcool ingerido que passou para a circulação sanguínea e pelo sistema respiratório. Portanto, “o vinagre não consegue interferir no etanol exalado pelos pulmões. Além disso, se o vinagre contiver álcool, pode até agravar o resultado positivo do teste”, explica. 

Outro “truque” seria se automedicar com Metadoxil (piridoxina ou vitamina B6), que acelera a metabolização do álcool do fígado. O remédio é mais utilizado no tratamento de alcoolismo e alterações hepáticas.

“(O medicamento) não interfere na concentração do álcool que está no sangue e tão pouco no ar medido pelo etilômetro”, diz Capalbo.

Lendas 

Comer bombom com licor ou usar antisséptico bucal não interfere no exame, devido a baixa concentração alcoólica dos produtos. De acordo com o gastroenterologista, o álcool fica presente apenas na mucosa bucal e some rapidamente.

Se for o caso, o motorista, no momento da abordagem, pode fazer bochecho com água e aguardar alguns minutos para fazer o teste. Caso o condutor não tenha ingerido bebida alcoólica, o recheio do bombom a será detectado pelo aparelho.

Álcool demora a deixar o corpo

Capalbo explica que a absorção de álcool é feita em poucos minutos, sendo que “o pico de concentração etílica no sangue ocorre cerca de 30 a 45 minutos após ser ingerido”. Em contrapartida, demora um tempo maior para sair do organismo. 

Segundo o médico, pode levar até dez horas para que o álcool não seja mais detectado no sangue: “não há formas eficientes de acelerar esse processo”.

O índice que corresponde a crime é superior a 0,33 mm de álcool por litro de ar expelido (Divulgação/Detran)

Tolerância Zero

A Lei Seca não tolera a ingestão de qualquer quantidade de bebida alcoólica, nem mesmo uma ou duas latinhas de cerveja. A multa para quem é autuado por misturar bebida e direção é de R$ 2.934,70.  O motorista também responde a um processo de suspensão do direito de dirigir junto ao Detran-SP e pode perder a habilitação por um ano.

O Detran-SP alerta que, durante as blitze, é comum os motoristas se negarem a fazer o teste do bafômetro na tentativa de escapar de possíveis sanções. No entanto, aqueles que não realizam o exame estão cometendo uma infração e também é multado em R$ 2.934,70 e notificado a responder processo de suspensão da CNH por 12 meses. 

Caso o condutor que se recusar a soprar o etilômetro e tiver  problemas de coordenação motora ou falar coisas sem sentido poderá ser  preso, multado e ter a carteira suspensa por um ano. 

“As pessoas precisam se conscientizar. Misturar bebida e direção coloca em risco a vida do motorista e das demais as pessoas no trânsito. O álcool reduz os reflexos e a capacidade de reação do condutor. Dirigir não é brincadeira”, destaca Maxwell Vieira, diretor-presidente do Detran-SP.

Quem for reincidente nesse tipo de infração, em um período de 12 meses, é multado em R$ 5.869,40 e responde a processo de cassação do direito de dirigir por dois anos.

Conforme determina a legislação federal, os condutores autuados pela Lei Seca têm direito à defesa antes da conclusão do processo de suspensão ou cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

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