Descoberta de esquema ilegal no setor de carnes preocupa clientes e comerciantes

Consumidores dizem não estar surpresos com denúncia, mas admitem cuidado maior

19/03/2017 - 08:50 - Atualizado em 19/03/2017 - 08:57

A existência de carnes vencidas e maquiadas por meio do uso de substâncias químicas no mercado e a adição de papelão em lotes de frango denunciados na sexta pela Polícia Federal, na Operação Carne Fraca, acenderam um sinal de alerta nos consumidores.

Além de terem forte sentimento de indignação diante das fraudes envolvendo grandes frigoríficos, as pessoas prometem ficar mais atentas ao comprar esse tipo de produto, a fim de evitar surpresas. 

Apesar das revelações, proprietários e trabalhadores ligados ao setor de carnes esperam que autoridades esclareçam e deem detalhes desses casos, pois a diminuição da demanda pode ser imediata diante da repercussão negativa do fato.

A dona de casa Iara Batista dos Santos não se surpreendeu com a denúncia, porque já foram noticiados anteriormente outros casos do tipo. “Evito comprar produtos processados, principalmente em supermercados. Meu filho Hector, quando tinha 2 anos, passou muito mal ao comer salsicha estragada”, diz.

A bióloga Alessandra Ribeiro também não se assustou com as constatações da PF ao relembrar a comercialização de leite adulterado no País. “Infelizmente, o Brasil é país da piada pronta”, desabafa.

Para o marceneiro Adriano Oliveira, a investigação da PF apenas trouxe à tona mais um esquema de corrupção que afeta diretamente os cidadãos. “A gente tem que sempre estar ligado. Espero que os preços da carne possam baixar”. 

Esquema ilegal preocupa clientes e vendedores de carne (Foto: Vanessa Rodrigues/A Tribuna)

Preocupação do setor

A funcionária pública Rosemeire Petin destacou ser importante haver um esclarecimento sobre o caso para saber quais tipos de irregularidades foram praticadas em cada empresa, porque a repercussão negativa pode afetar todo o setor.

Apesar da seriedade do tema, alguns clientes aproveitaram para brincar com a situação, como revelou a operadora de caixa Marise de Castro. “O pessoal não deixou de fazer pedidos para o açougue, mas falava para mandar carnes sem papelão e sem isopor”.

Para o proprietário da Casa de Carnes Santhiago, Thiago Barbosa de Santana, haverá um impacto imediato na demanda, mas ele entende que os estabelecimentos do setor serão menos afetados.

“Esse foi o assunto do dia entre os clientes. Somos abastecidos por outros frigoríficos que não foram denunciados e poderemos, até, ganhar mais clientes”, destaca.

Consumidores preocupados

O proprietário da Casa de Carnes Vila Rica, Antônio Tavares, havia recebido dez telefonemas de clientes antigos perguntando sobre a procedência dos produtos. A 11ª ligação ocorreu no momento da entrevista.

“A princípio, tivemos uma queda no movimento, mas isso pode ter sido causado pela chuva. O cliente vai começar a ficar mais preocupado com o que está comprando”, afirma.

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