Cursos de medicina na região são favoráveis a novo sistema de avaliação

Principal objetivo é atestar a qualidade dos cursos oferecidos no País, que atualmente são certificados pelo MEC

01/07/2015 - 21:09 - Atualizado em 01/07/2015 - 23:08

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Escolas Médicas (Abem) criaram um novo sistema de avaliação e certificação independente do já adotado pelo governo federal. Na Baixada Santista, as duas universidades que oferecem curso de medicina são favoráveis à implantação da avaliação, que tem como principal objetivo atestar a qualidade dos cursos que são oferecidos no País.

O exame é de caráter voluntário e começa a ser aplicado entre os meses de novembro e dezembro. Na primeira fase, 20 instituições serão avaliadas, sendo 10 públicas e 10 privadas.

Para Elaine Marcilio Santos, pró-reitora acadêmica da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), a instituição é favorável às novas iniciativas que visem ampliar a rigidez da formação de novos profissionais, principalmente da área da saúde. "Esta é uma iniciativa importante que pode melhorar o que temos hoje como parâmetros de qualidade. É importante que os fatores avaliados estejam em harmonia com os do MEC (Ministério da Educação)".

Nelson Teixeira, reitor do Centro Universitário Lusíada (Unilus), também afirma que a instituição é favorável a esse novo método de avaliação. "Desde que seja realizado com seriedade", complementa.

Atualmente, as universidades seguem as regras do MEC e a pró-reitora da Unimes garante que a avaliação do Governo Federal é suficiente para atestar a qualidade das escolas de medicina. "Discordo (quando dizem) que avaliação do ministério não é rígida. Ela é bem rígida. Tanto o estudante quanto a estrutura, projeto pedagógico e afins também são avaliados. O MEC também faz visita in loco para garantir que a universidade realmente esteja dentro dos padrões de qualidade", explica.

Teixeira reforça que a proposta do Conselho é "praticamente a mesma avaliação que é feita pelas comissões do MEC em suas visitas de verificação nos cursos”.

Nota insatisfatória

Dados do MEC mostram uma piora dos cursos de medicina. Em 2010, de 177 avaliados, 13% tiveram nota 2 (insatisfatória), em escala de 1 a 5. Em 2013, de 154, 17,5% tiveram essa nota.

A pró-reitora não acredita que as notas insatisfatórias tenham relação com uma possível falta de comprometimento do MEC na hora da avaliar a qualidade da universidade. "Entendo que o aluno é fruto da universidade. Nos responsabilizamos por ele, esse é um compromisso que nós temos. Mas garanto que a piora na qualidade destas escolas refletidas pelo aumento da nota insatisfatória não é fruto da avaliação (negativa) e, sim, de um contexto grande, onde este aluno, por exemplo, apresenta deficiências na educação básica".

O sistema

As instituições de ensino envolvidas no exame serão provenientes de diferentes regiões e com tipos distintos de estatutos jurídicos, tempo de existência e métodos de ensino. As primeiras provas devem ocorrer entre novembro e dezembro deste ano.  A meta é que, em 2017, todo o sistema seja implantado.

Nesta primeira etapa, segundo o CFM, dez cursos serão públicos e dez cursos privados. A seleção das escolas será proporcional à distribuição regional, sendo seis do Sudeste, quatro do Nordeste, quatro do Sul, três do Centro-Oeste e outros três do Norte. 

As primeiras visitas devem ocorrer entre novembro e dezembro, com expectativa de divulgação até o primeiro trimestre de 2016. Nos anos seguintes, será iniciado o processo de acreditação propriamente dito.

Com o Sistema de Acreditação de Escolas Médicas (Saeme), as entidades médicas não terão o poder de fechar as faculdades Medicina, tarefa que cabe ao MEC. O objetivo das entidades médicas é fazer com que o novo sistema seja reconhecido como parâmetro pela sociedade para atestar a qualidade dos cursos.

Veja Mais