Com R$ 800 milhões em dívidas, Cursan corre risco de fechar

Se fechamento ocorrer, pelo menos 540 trabalhadores poderão ser desligados

20/04/2017 - 07:21 - Atualizado em 20/04/2017 - 07:26

Trabalhadores da Cursan estão de braços cruzados desde o início da semana (Foto: Alexsander Ferraz)

A Prefeitura de Cubatão define na próxima semana um plano que pode resultar no encerramento das atividades da Cursan, uma companhia de capital misto da qual detém 90% das ações. A causa: dívidas acumuladas em gestões anteriores, estimadas em cerca de R$ 800 milhões, segundo anunciou o prefeito Ademário Oliveira (PSDB), em janeiro, ao dar posse a uma nova diretoria.

Para agravar o quadro, por causa das dívidas, a Cursan não consegue obter certidões negativas de débitos tributários federais, estaduais e municipais exigidas por lei federal para renovar contratos. 

Se ocorrer, o fechamento vai levar à demissão de pelo menos 540 trabalhadores. O quadro segue linha semelhante à política adotada pela Administração de encerrar contratos de serviços de apoio à Prefeitura.

O fechamento da Cursan deixaria escolas municipais sem merendeiras nem pessoal de limpeza, num momento em que a Justiça determinou a professores e servidores municipais, em greve desde 28 de março, a manter 80% do efetivo em atividade desde segunda-feira.

Torna-se difícil, por exemplo, o retorno às salas de aula sem limpeza e sem garantia de merenda para os alunos.

Vai parar

Em greve, devido ao atraso de três meses no recebimento de direitos e benefícios, trabalhadores da Cursan estão em greve. São filiados ao Sindlimpeza, cuja presidente, Palloma Santos, liderou uma passeata pela Avenida Nove de Abril, por volta do meio-dia de quarta-feira (19). O grupo se concentrou no portão de entrada da empresa. “Cubatão vai parar se a Cursan fechar”, anunciavam os manifestantes.

Partiu de Palloma, nas redes sociais, um comunicado do Sindlimpeza no qual revelou ter recebido informalmente a notícia do fechamento da Cursan durante uma longa reunião realizada na terça-feira.

“A posição informada pelo Sindilimpeza não procede”, disse, em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Prefeitura. “Na terça-feira, a liderança sindical pediu uma reunião com a Prefeitura, no que foi prontamente atendida. O que foi informado ao sindicato é que a situação é realmente muito grave, existe grande dificuldade jurídica para a manutenção dos contratos com a Cursan. Isso continua sendo avaliado e na próxima semana deverá ser definida a situação da empresa”.

Os trabalhadores entraram em greve no início da semana porque a Prefeitura não renovou seus contratos. Sem verba nem garantia de renovação, a diretoria da Cursan alega não ter dinheiro para pagar salários e direitos dos trabalhadores, a maioria selecionada após concurso.

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