Com novas regras, entrar nos EUA mesmo que a turismo está ainda mais difícil

Gestão de Donald Trump apertou o cerco para a entrada de turistas no País. Entrevistas na Imigração chegam ao constrangimento

10/08/2018 - 08:54 - Atualizado em 10/08/2018 - 08:54

Leis migratórias dos EUA ficaram mais rígidas com
a chegada de Trump à Presidência (Foto: Pixabay)

Desde que Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos, não só os americanos tiveram a vida afetada pelas decisões do republicano. Brasileiros que costumam viajar para lá também. É que algumas regras para o visto mudaram e as entrevistas na Imigração ficaram mais criteriosas e, em alguns casos, até constrangedoras.

Uma empresária que viajou há cerca de um mês para a Disney, comemorando o aniversário de 15 anos da filha, passou por situação delicada. Após quase dez meses preparando a viagem, resolveu levar a melhor amiga da debutante com o grupo da família.

De todos os dez viajantes, apenas a adolescente, de 13 anos, nunca tinha ido aos Estados Unidos. Mas conseguiu o visto de turista e levou autorização dos pais para viajar acompanhada da empresária.

Na chegada, enquanto todos receberam autorização e carimbo no passaporte, a adolescente foi chamada para a sala da entrevista reservadamente, acompanhada pela responsável.

“Ficamos lá por duas horas, eu já com o carimbo e ela não. Vi muitos latinos, principalmente colombianos e mexicanos, sendo interrogados com uma pressão muito grande, como em cenas de filme. E começaram a perguntar para a menina por que os pais dela não vieram”, contou a empresária.

Finalmente, na sala de entrevista individual, os oficiais da Imigração questionaram à garota se ela foi se encontrar com os pais que viviam ilegalmente nos Estados Unidos. “A menina, que mal fala inglês, olhou para a minha cara, desesperada, querendo chorar. Eu me intrometi, indignada”, contou a santista que por sorte, tinha em mãos vouchers dos parques da Disney comprados, passeios no nome dela e bilhetes de volta para o Brasil.

Em outra situação, uma moradora com casa em Miami foi questionada, ao chegar, por que ia tantas vezes ao país. Segundo especialistas, como os vistos permitem seis meses de permanência por ano a quem tem residência nos Estados Unidos, agentes ficam de olho na quantidade de carimbos de ida. Quanto mais marcações houver, mais buscam saber, por exemplo, se o dono da casa está indo a passeio ou – o que seria ilegal – tratar de negócios.

No caso da viagem, imigrantes têm chegado ilegalmente e, para diminuir riscos às crianças, fazem os filhos se passar por turistas, na tentativa de recebê-los. 

Todo o mundo

Há três meses, Trump criticou as leis migratórias do país e limitou a entrada de cidadãos de Irã, Líbia, Coreia do Norte, Somália, Síria, Iêmen e Venezuela. Para o Brasil e outros países, as decisões foram mais brandas.

Max Rodrigo Bonadio, diretor comercial da Help Vistos, comenta que o controle ficou maior e que negativas, antes raras, se tornaram comuns há cerca de um ano.

“Por exemplo, se o solicitante diz que vai desembarcar em Orlando e chega, na verdade, em Nova Iorque, pode ter a entrada negada”, diz.

O diretor ressalta que, mesmo com visto de 90 dias, um carimbo no passaporte pode dar mais 90 dias ao turista. “Se o solicitante ficar 100 dias lá e tiver informado volta anterior, ninguém vai falar nada. Mas, quando precisar voltar, será deportado ou terá o visto inelegível. Já perdi a conta de quantos casos desses ocorreram”, especialmente depois da mudança de governo.

Ana Rafaela Gomes, gerente de relacionamento da GlobalVisa, agência internacional com sede em Brasília que recebe pedidos de todo o País para retirada do visto, explica que já trabalhou na seção consular e vê negativas de vistos ocorrendo frequentemente – algo que era raro antes.

A dica dos especialistas é estar preparado para passar pela Imigração e pelo consulado com informações verdadeiras e reforçadas por documentos. Também se sugere agir com contundência. "Saiba para onde vai, quanto tempo vai ficar. A comprovação tem que ser mais efetiva do que a especulação do formulário do consulado. Os dados, agora, são checados”, salienta Max Bonadio.

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