Com audição mais sensível, animais sofrem com a queima de fogos

Médicos veterinários dão algumas orientações que podem ajudar a aliviar o medo

28/12/2017 - 09:36 - Atualizado em 28/12/2017 - 09:48

Na região, apenas em Peruíbe a queima de fogos é proibida (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

“Fico desesperada com o desespero deles”. Todo fim de ano é assim na casa da estudante Claiza Saraiva. Ela tem dois cães que sofrem muito com os fogos no Ano-Novo. Esse problema é comum, porque os animais têm os ouvidos bem mais sensíveis que os humanos. Segundo veterinários, cuidados podem amenizar o sofrimento. 

Claiza liga a televisão com volume um pouco acima do normal para que a Billy e o Alemão não sofram tanto com o barulho dos fogos. “Mas eles só saem de baixo da minha cama quando termina o barulho. O que demora um pouco, já que moro no Centro de Santos”, lamenta.

A maioria dos cães, gatos e pássaros sofre com os fogos típicos dessa época do ano. Há cidades que proíbem fogos barulhentos, mas nem sempre a lei é respeitada ou não está valendo por decisão da Justiça. 

“O meu yorkshire fica tremendo tanto que penso que vai morrer, não para de correr de um lado pro outro, não sabe se se esconde ou se quer colo. É uma tristeza”, relatou Alexandra Lima, no perfil de A Tribuna no Facebook.

O que fazer? 

A médica-veterinária Cecília Maria Rodrigues Tavares, especializada em medicina chinesa e terapia neural, afirma que o melhor é isolar o ambiente onde o animal ficará. “Feche os vidros das janelas, as persianas e as cortinas e coloque, ainda, uma toalha nas frestas”.

Depois, ligue música alta no quarto. “Tem que ser o suficiente para quem está dentro não ouvir alguém chamar do lado de fora, como quarto de adolescente”, compara.

Cecília lembra que, certa vez, uma de suas clientes deixou a TV ligada, e a programação exibiu os fogos em Copacabana. Por isso, o mais indicado é um canal de música.

O também médico-veterinário Rafael Perdiz orienta que o animal fique em um ambiente a que está acostumado. “Eles escolhem o que preferem para se sentir mais seguros, como embaixo da cama ou dentro do guarda-roupas”, diz ele.

Ele diz, ainda, que alguns ficam mais calmos sozinhos. Outros preferem o colo do dono. O mais importante, entretanto, é manter uma rotina normal e não trancar o animal durante horas. 

Remédios são indicados apenas com orientação do veterinário, porque podem ser muito fortes para determinadas espécies de bichos.

Há florais, biscoitos feitos com ingredientes como camomila e passiflora, e outros tipos de ervas que acalmam.

Ana Carolina Monteiro, da loja Molecão, na Ponta da Praia, afirma que as lojas do segmento oferecem alguns equipamentos que podem ajudar, como bolinhas de algodão revestidas de parafina para colocar dentro das orelhas dos bichos ou uma faixa de compressão, que oferece uma sensação de acolhimento ao animal.

“Eu vejo que os donos se preocupam muito e, nessa época do ano, muitos deles vêm nos procurar pedindo conselhos”, comenta Ana Carolina.

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