Coleta de lixo reciclável tem aumento médio de 17% na Baixada Santista

Crescimento, em 2017, foi verificado em seis cidades. Destaques são Santos, São Vicente e Peruíbe

12/01/2018 - 12:00 - Atualizado em 12/01/2018 - 12:07

A artesã Rosana Katcipis, 58 anos, faz bijuterias a partir
de materiais recicláveis (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

O volume de lixo coletado para reciclagem aumentou 17%, na média registrada em seis das nove cidades da Baixada Santista, na comparação entre os anos de 2016 e 2017. Os destaques foram Bertioga, que ampliou a coleta em 41%, Praia Grande, 26%, e Santos, 21%. Em Itanhaém e Mongaguá o aumento foi de 7% no período. Já Cubatão não registrou aumento de um ano para outro.

Outro dado positivo na região é que, mesmo em terceiro na comparação entre os dois anos, Santos teve um aumento significativo na coleta a partir de julho do ano passado, após a aprovação da Lei Complementar 952, que criou o programa Recicla Santos, por iniciativa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

A partir da nova lei, o Município, que mantém serviço de coleta seletiva há 25 anos, ampliou a atuação e os números começaram a aparecer. De julho a dezembro de 2017 foram coletadas 2.963 toneladas de material reciclável, com aumento de 92% em relação ao mesmo período de 2016, quando foram separadas 1.546 toneladas de lixo limpo.

“Esses números são expressivos, mas a nossa expectativa é de que fiquem ainda melhores. Isso porque, os índices atuais são referentes apenas à coleta seletiva pública, não incluindo os números da coleta particular (atende aos grandes geradores, com volume acima de 120 quilos de resíduos por dia)”, explicou o gestor ambiental Paulo Batista, chefe da Coordenadoria de Controle Ambiental da Prefeitura de Santos.

Números expressivos

Segundo ele, a partir deste mês, com a nova lei, as empresas que atuam na coleta particular também passam a informar para a Prefeitura o volume de material recolhido na Cidade. “Assim, teremos números bem mais expressivos e a garantia de que Santos segue como modelo para outras cidades brasileiras”, destacou.

De acordo com o coordenador, atualmente apenas o Caruara (Área Continental) não é atendido pelo serviço de coleta seletiva na Cidade. “Para o bairro, a ideia é elaborar um programa que envolva a comunidade e que esta possa gerenciar o seu sistema de reciclagem”.

Outras cidades

Em Peruíbe, a coleta seletiva mereceu destaque no ano passado, com ampliação de 400% do processo de recolhimento e reciclagem, O índice, no entanto, não entrou no cálculo geral (com os das demais cinco cidades), pois no Município o volume de lixo recolhido para reciclagem é medido em metros cúbicos e não em toneladas.

Além disso, Guarujá e São Vicente também não foram incluídas na estatística, mas contam, assim como todas as demais cidades da região, com coleta seletiva.

No caso de Guarujá, a Prefeitura informou que os dados referentes ao ano passado ainda não foram fechados. Já em São Vicente, o lixo reciclável coletado somente passou a ser pesado em 2017, não havendo, assim, dados comparativos. Confira mais detalhes neste link.

Reciclando criatividade

A criatividade da designer, organizadora de residências e ambientes e consultora Rosana Katcipis, 58 anos, tem rendido bons frutos e dividendos. E apostando no bom gosto, ela tem ajudado a ampliar a luta pela reciclagem. Desde o ano passado, Rosana tem produzido bijuterias a partir de material reciclável. “Como gosto de trabalhar com formas geométricas, decidi criar colares e brincos, utilizando recouro (couro reciclado) e papelão.

O resultado está sendo gratificante”, conta a artesã, que sempre trabalhou com objetos de decoração e pintura. “Sempre gostei de criar. Aqui em casa tenho vários objetos a que dei forma, a partir de material de reciclagem”, comenta, mostrando almofadas que foram feitas com o tecido de camisetas velhas e porta-objetos feitos com caixotes. “Atualmente, além das bijuterias, estou coletando madeiras e metais nas ruas.

Quando tiver material suficiente, pretendo investir na criação de objetos de decoração. Esta é uma forma de tirar da Natureza o material que foi descartado, mas que pode ser reaproveitado, e, ainda, ganhar um dinheiro extra”, destaca. Cada bijuteria produzida por Rosana, que assina como Roka Designer, custa R$ 20,00. Mais informações sobre o trabalho podem ser obtidas por meio do telefone 98814-0257

Integrantes de cooperativa recebem um salário mínimo pelo trabalho realizado (Foto: Alex Ferraz/AT)

Meio ambiente

Além de benefícios para o meio ambiente, reciclar é sinônimo de dinheiro no bolso. Em Santos, este é um conceito que 80 pessoas conhecem bem. Por isso, diariamente, elas estão na separação do material que chega ao pátio da Cooperativa de Materiais Recicláveis Santista (Comaris), no Alemoa.

Os cooperados recebem pelo menos um salário mínimo por mês para fazer a triagem do material que é coletado. Aqui, são separados plástico, vidro e metal. Tudo segue para a reciclagem”, explica Álvaro Silva Oliveira Júnior, coordenador de produção da Cooperativa.

Madeira

A reciclagem também está presente na EcoFábrica Criativa, em Santos. O projeto, criado pela Prefeitura, utiliza madeiras reaproveitadas para a formação de marceneiros. Todo o material é coletado por meio do Projeto Cata Treco e até ganhou o prêmio internacional IF Social Impact Prize.

“É uma satisfação muito grande que esse projeto tenha sido premiado. Ele é completo, com os aspectos ambiental, social e de reutilização de materiais, além de formação a pessoas de baixa renda”, diz Maria Ignez Pereira Barbosa, presidente do Fundo Social de Solidariedade de Santos (FSS).

Na EcoFábrica Criativa os alunos aprendem a confeccionar peças para mobiliário urbano, como placas, cavaletes, bancos e floreiras, além de objetos de decoração. As peças são desenhadas pelos arquitetos do Club Design de Santos.

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