Chuva deixa rastro de prejuízos na Baixada Santista

Após os temporais, moradores da região reviveram uma cena frequente: limpar a lama deixada pelos alagamentos e contar bens perdidos

16/04/2018 - 22:00 - Atualizado em 16/04/2018 - 22:00

Vias permaneceram alagadas até o início da tarde desta segunda-feira (Foto: A Tribuna)

A chuva que caiu no fim de semana causou prejuízos para muitos moradores da Baixada Santista. Nesta segunda-feira (16) cedo, munícipes de São Vicente ainda contabilizavam o que foi perdido nos alagamentos. Na Avenida Alcides de Araújo e nas ruas transversais do bairro Catiapoã, o assunto nas casas era um só: a sujeira e os móveis e eletrodomésticos perdidos. 

Ciente dos frequentes alagamentos, a comerciante Sandra de Araujo Barreto instalou uma barreira fixa de madeira na porta principal da sua casa. Além disso, para ter acesso à parte interna da residência, moradores e visitantes têm que subir numa cadeira para passar pelo local. Mas a medida não deu resultado.

Sem dormir há mais de 24 horas depois de ter a casa invadida pela água, perder a comida armazenada e ter a mobília danificada, ela ainda viu parte do sustento ir literalmente paro ralo. Ao lado do imóvel, fica sua lanchonete, que amanheceu com três freezers boiando. “Tenho que esperar tudo secar para ver se algo funciona”.

A família já separava colchões e armários que virariam uma fogueira. “Estamos esquecidos aqui. Prometeram uma obra, mas ela nunca sairá do papel”, diz Sandra.

 A barreira na casa de dona Sandra não conseguiu barrar a água (Foto: Luigi Bongiovanni/AT)

Só dor de cabeça

O aposentado Rafael Carlos dos Santos, que mora na Rua João Maria Horta, também está indignado. “Aqui, a gente já vive com os móveis em cima de cadeiras para evitar perder tanta coisa, mas não tem jeito. Vem a chuva e acaba com tudo”, reclama.

Nem os prédios dos conjuntos habitacionais Primavera e Penedo, no Jóquei Clube, inaugurados em outubro, escaparam da força das águas. No domingo, apartamentos térreos inundaram e o estacionamento virou uma piscina.

Obras

Toda essa área faz parte da região que seria beneficiada por obras de drenagens nos três canais da Bacia do Catiapoã. O início dos trabalhos foi anunciado em março, mas, até agora, o serviço não começou nas avenidas Alcides de Araújo, Penedo e Lourimar Moreira do Amaral.

No início do mês, a Prefeitura anunciou que em 15 dias já seria possível ver a obra em andamento. Nesta segunda, porém, a informação foi de que a Terracom montou o canteiro de obras e terminou os estudos topográficos.

O primeiro serviço será a limpeza dos canais, que só ocorrerá quando o tempo ficar bom. 

Só depois disso é que dona Sandra e seus vizinhos vão ver máquinas e materiais no canal da Avenida Alcides de Araújo. Ela só torce para que, até lá, um novo alagamento não acabe com o pouco que resta de sua casa. 

Famílias ainda estão desabrigadas

Duas cidades da região tiveram famílias desabrigadas por conta dos temporais. Em Mongaguá, onde as chuvas registradas no fim de semana foram quase 20 vezes acima do normal, três famílias foram removidas de suas casas no bairro Agenor de Campos. Uma ficou com parentes e as outras duas foram para um ginásio.

Em Cubatão, na noite de domingo, foram cadastradas 25 famílias do Pilões. Elas retornaram para suas casas nesta segunda, após passarem a noite com parentes ou na Sociedade de Melhoramentos do bairro. 
A UTI Neo Natal do Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, onde 15 bebês tiveram que ser removidos porque o local foi interditado por conta de alagamento, na tarde de domingo, continua fechada. A previsão para reabertura é de uma semana.

Em Santos, seis placas de veículos foram localizadas nas ruas por agentes da CET: FOU 5938 (São Paulo), ELC 5052 (Cubatão), GJK 3317 (São Vicente), EFS 7892 (Santos), DJN 5611 (Praia Grande) e KYE 5234 (Bragança Paulista). Os motoristas devem resgatá-las na Avenida Rangel Pestana, 126, com o documento do carro, das 8 horas às 16h30.

Doações

Para doar produtos de higiene e alimentos não perecíveis às famílias desabrigadas em Mongaguá, deve-se procurar o Fundo Social de Solidariedade (Av. Marina, 65, Centro).

Já em Cubatão, basta ligar para o Disque Solidariedade, 3362-6500 ou 3362-0842, ou ir ao Bazar do Fundo de Solidariedade, no Parque Anilinas (Av. Nove de Abril, s/nº).

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