Celular responde por 20% dos roubos na Baixada Santista

Uma a cada cinco ocorrências envolve esse tipo de crime, o que aumenta procura por seguro dos aparelhos

12/02/2018 - 22:00 - Atualizado em 12/02/2018 - 22:12

Para o delegado Manoel Gatto Neto, total 
de casos é elevado (Foto: Rogério Soares/AT)

Pouco mais de duas décadas atrás, ostentar um par de tênis caro e importado era um chamariz para os ladrões. Os tempos mudam, a tecnologia avança e o foco passou a ser outro: os celulares, verdadeiros microcomputadores ao alcance das mãos, estão na mira dos bandidos.

A cada quatro roubos no Estado, um envolve celulares, ou seja 25% de todas as ocorrências. Foram cerca de 76 mil queixas de celulares roubados no ano passado, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. 

No âmbito da Seccional de Polícia de Santos, esse percentual é de 20%, ou seja, um aparelho roubado a cada cinco crimes do tipo. “É um número bastante elevado. Proporcionalmente, é o mesmo do ano anterior”, afirma Manoel Gatto Neto, delegado Seccional de Polícia de Santos. 

O alto valor, que por vezes ultrapassa R$ 6 mil, e a facilidade de comércio dos aparelhos atraem os bandidos. “Por isso que a polícia tem foco primordial com relação aos receptadores. Temos banco de dados onde estão registrados todos os aparelhos comunicados à polícia que foram roubados ou furtados”, explica o delegado.

Liberdade de uso

Por conta disso, fazer um seguro transformou-se em medida tão primordial quanto lavrar um boletim de ocorrência, seja eletrônico ou presencial. 

“Comprar um celular de última geração é um sonho muitas vezes maior do que comprar um carro. Ter seguro do equipamento traz, acima de tudo, liberdade de uso”, analisa André Luís Mantovani, corretor de seguros da Ação Absoluta Corretora de Seguros, que registrou aumento significativo na procura. “Geralmente, o seguro é feito para aparelhos com valores acima de R$ 700,00. Menos do que isso, a demanda é inexistente”.

A Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg) atesta que os consumidores gastaram quase R$ 1 bilhão no ano passado com esta modalidade de seguro. Isto representa um aumento de 70% em relação a 2016. Em todo o País, foram indenizados 300 mil proprietários de celulares em 2017.

“O custo varia de acordo com o equipamento, mas pode ir de 15% a 30% do valor do bem. O pagamento geralmente é facilitado e pode chegar em até 12 parcelas. Além de smartphones, também é possível segurar tablets, notebooks, máquinas fotográficas e filmadoras”, detalhe Mantovani. “Geralmente, são pessoas que entendem a importância do benefício. Independentemente de quanto vai pagar, vai sair mais barato do que comprar outro”, emenda.

Em tempo

Carlos Emanoel Cunha de Lima, empresário do ramo de navegação em Santos e São Sebastião, havia feito seguro do celular em fevereiro de 2016. Quatro meses depois, em junho, entrava em seu carro no bairro do Macuco, em Santos, quando foi abordado por alguém de bicicleta. O bandido percebeu o aparelho na cintura e mandou que o entregasse.

“O ressarcimento atingiu 80% devido à depreciação do bem e também já tinha passado mais da metade do período da apólice”, lembra Carlos. “Todos os meus bens móveis têm seguro. Acabei de adquirir o iPhone 8plus e também vou colocar no seguro”, emenda. 

A dentista Thaís Campregher decidiu fazer o seguro
como forma de prevenção (Foto: Alexander Ferraz/AT)

A dentista Thaís Campregher não passou pela agrura de ter levado o seu celular, mas já providenciou o seguro quando comprou um Iphone 7, no final de 2016. “Foi uma medida preventiva pelo valor do bem. Não tinha conhecimento (de que existia). Pensei que o celular só poderia ser segurado se fosse novo”, conta. 

Mesmo assim, os cuidados continuam. “Na rua, não atendo o celular e o deixo no modo silencioso”. Pelo menos é possível ocultar o aparelho. Algo bem diferente dos visados pares de tênis caros e importados de mais de duas décadas atrás. 

Cobertura do seguro

Danos de causa externa: Garante danos ao seu equipamento decorrentes da tentativa de roubo, impacto de veículos, incêndio, raio e explosão e acidentes decorrentes de causa externa, com exceção daqueles mencionados nos itens de exclusão da apólice.

Subtração do bem:

Cobertura que costuma gerar confusão no seu entendimento, pois cobre roubo e o furto qualificado do bem. 

>>O roubo é o ato cometido sob ameaça.

>>O furto qualificado é a subtração ocorrida sem a presença do segurado, mas que deixa vestígios, como arrombamento de uma porta ou janela, por exemplo.

Importante: O furto do bem segurado dentro de um veículo é um risco excluído, mesmo que haja vestígios, já que esta situação específica não tem cobertura, conforme as condições gerais da apólice.

>>O furto simples não tem cobertura em nenhuma apólice, simplesmente pelo fato de não possuir indícios de furto. O proprietário pode simplesmente ter se descuidado e esquecido o equipamento em algum lugar. 

Danos elétricos:

A cobertura contra o risco de dano elétrico tem sido muito procurada. As tempestades geram raios que sobrecarregam a rede elétrica, dando uma descarga elétrica nos equipamentos enquanto estes estão tendo suas baterias recarregadas na tomada. Para quem contrata esta cobertura, esta situação está coberta.

Cobertura internacional:

Garante tudo o que foi contratado no Brasil também no exterior

Cobertura de danos por água:

Garante indenização até o limite contratado pelo segurado, dos prejuízos materiais causados aos equipamentos fotográficos e seus acessórios, descritos na apólice, decorrentes de danos de origem acidental e involuntária causados por água ou qualquer outra substância líquida.

Gustavo: ''Agora, tenho como me precaver''
(Foto: Rogério Soares/AT)

Seguro é opção para reduzir danos

O jornalista Gustavo Silva dos Santos, de Guarujá, ficou um pouco traumatizado com o furto de seu celular, em 25 de novembro, no show do grupo Rouge, em São Paulo. Na ocasião, levaram seu Iphone 7. 

Quando volta a locais de muita aglomeração, Santos verifica a todo momento se o aparelho está no bolso, embora geralmente fique com ele nas mãos. “Não penso em deixar de usar porque, se fizer isso, vou deixar de usufruir de algo que trabalhei para comprar”.

Diante desse raciocínio, o jornalista optou por contratar um seguro completo do aparelho novo. A apólice cobre até curto por raio em dia de tempestade. “Não fiz seguro no meu outro celular porque não pensei que pudesse vir a acontecer comigo. Mas sempre via na TV e amigos falando que tinha acontecido com eles”, justifica.

Curiosamente, o jornalista havia contratado um seguro logo que comprou um aparelho anterior a esses. “Mas não aconteceu nada. E pensei: não vai acontecer com esse também. Mas aconteceu”, conta. “A motivação (de ter feito o seguro) é que, agora, tenho como me precaver, em termos de reaver meu dinheiro, poder comprar outro celular e não ter tanta dor de cabeça como no caso do outro”, emenda.

Dois assaltos

A advogada Stefania Quadrelli Menin tomou o mesmo caminho em 2015, assim que soube que era possível segurar o celular. No ano anterior, ela tinha sido assaltada pela segunda vez em Santos – a outra foi em 2010. 

“Sempre tive receio (de andar na rua). Mas a situação ficou pior após os assaltos. Atualmente, mesmo com seguro, não atendo celular quando estou na rua”.

O ator Guilherme Hillwegg Socheuk, namorado de Stefania, seguiu o exemplo por uma razão muito simples. “Ele nunca foi assaltado, mas por ter acontecido comigo, sempre o alertei e o influenciei a fazer, por precaução”, afirma a advogada. 

Medidas simples inibem abordagem

Uma das medidas de prevenção é não deixar o aparelho sobre mesas, em bolsa, mochila e no bolso de trás da calça. “São locais de fácil acesso ao ladrão. Então temos que dificultar para que ele consiga botar a mão”, explica Manoel Gatto Netto, delegado seccional de polícia de Santos.

Ostentar o celular em locais reconhecidamente menos seguros também está fora de cogitação. Ainda mais os modernos, que são coloridos, seja pela tela ou pela capa, e vistosos, pelo tamanho. “São espaços em que há grande concentração de pessoas, como rodoviárias, estações de VLT, de ônibus”, exemplifica o delegado.

Depois do problema

Após o roubo ou furto, a primeira atitude a ser tomada pela vítima é o registro do boletim de ocorrência, além de guardar e informar as características físicas do assaltante. 

Junto a ele, uma série de informações e providências são necessárias para que a investigação possa ser desenvolvida de modo a encontrar o aparelho e evitar mais prejuízos.<MC0> 

Gatto Neto observa que é importante o proprietário guardar todos os detalhes do aparelho: número da linha, do e-mail, qual o fabricante e o modelo do aparelho. 

“No caso de uma ocorrência, isso vai ajudar a bloquear e também a localizar e recuperar esse aparelho”, afirma. 

A instalação de aplicativo antirroubo, que permite contato remoto com o celular, também ajuda na busca.

“Reforço a importância do registro do B.O. e solicitação à operadora de bloqueio da linha. Dessa forma, o aparelho perderá a sua utilidade, tornando-o menos atrativo aos ladrões”, completa o delegado. 

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