Carnaval exige cuidado redobrado com doenças sexualmente transmissíveis; saiba como evitá-las

Infectologista Ricardo Hayden fala sobre a importância de usar preservativo em todas as relações sexuais

09/02/2018 - 07:20 - Atualizado em 09/02/2018 - 07:52

No Carnaval, todo cuidado é pouco com as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Com muitos foliões deixando de lado precauções que devem ser tomadas o ano inteiro, elas se espalham com rapidez e preocupam. A ponto de o Ministério da Saúde decidir distribuir mais de 100 milhões de preservativos pelo País nos próximos dias.

Segundo o infectologista Ricardo Hayden, entre as doenças estão aids, cancro mole, gonorreia, herpes genital, HPV, hepatites A, B e C, além,é claro, da sífilis, que vem apresentando aumento no número de casos no Brasil.

“Para se prevenir, é importante ter em mente que o mais importante é o uso de preservativos em todas as relações sexuais. Outras medidas também ajudam: reduzir o número de parceiros sexuais; procurar um especialista no caso de sintomas e seguir o tratamento até o término. No caso de HPV, é importante que as pessoas saibam que a falta de proteção também no sexo oral pode acarretar em várias doenças, inclusive câncer”.

Governo vai distribuir mais de 100 milhões de preservativo em todo o País (Foto: Shutterstock)

Além do preservativo

No entanto, além das campanhas que costumam focar no uso da camisinha como método de prevenção, é importante conhecer a proteção disponível para quem vem a ter uma relação de risco com um soropositivo: a profilaxia pós-exposição (PEP), conjunto de medicamentos contra o HIV que devem ser ingeridos por 28 dias após o possível contágio. Além disso, o paciente deve ser acompanhado pela equipe de saúde por 90 dias.

“Se uma pessoa teve uma relação sexual desprotegida em que suspeite de risco para o HIV, ela deve procurar um serviço de saúde até, no máximo, 72 horas após a relação. Ou seja, se a camisinha rompeu ou deixou de ser usada, a pessoa pode buscar o atendimento numa UPA, pronto-socorro ou qualquer unidade de saúde. É um kit de segurança, um serviço gratuito”.

Doença do beijo

Com certeza você já ouviu falar do tal sapinho, não é mesmo? Pois é, o nome dele na verdade é mononucleose, conhecida também como doença do beijo. O infectologista explica que trata-se de um vírus da família do herpes, comum no Carnaval. Neste caso, os sintomas são febre e dores nas articulações e na garganta. 

Mas engana-se quem pensa que a mononucleose aparece só por causa do beijo. A contaminação também pode ocorrer por meio de espirro, tosse e saliva em copos, talheres e xícaras. “É uma doença que até hoje não tem relatos de óbitos, no entanto não diria que ela é benigna. Até porque, estudos mais recentes apontam que a mononucleose pode induzir o aparecimento de câncer linfático”. 

Vulneráveis

Para Hayden, a mulher é mais vulnerável a DSTs que o homem. Ele também explica que algumas acabam cedendo aos pedidos dos parceiros e têm relação sem preservativo. "Mulher costuma ser receptiva de alguma coisa, por isso elas estão mais susceptíveis às infecções e desenvolvem complicações com maior frequência que os homens".

Outro dado importante, segundo o especialista, é de que jovens de 14 até quase os 30 anos têm deixado cada vez mais de usar preservativos. “É a faixa onde a aids mais cresceu nos últimos anos, principalmente no sudeste. Pesquisas apontam que o uso de camisinha está abaixo de 40%". 

Balanço 

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 830 mil pessoas vivem com HIV/aids no Brasil, sendo 694 mil pessoas diagnosticadas e 548 mil pessoas em tratamento. A pasta estima também que 136 mil pessoas ainda não saibam que são portadoras do vírus transmissor da aids e que outros 196 mil tenham ciência de que tem o HIV, mas desconsiderem a necessidade de tratamento.

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