Barulho dos fogos no Réveillon faz cão se perder em Praia Grande

Moradora encontrou o animal, que corria pelas ruas da Vila Tupi, desorientado e assustado por conta do ruído dos rojões

03/01/2018 - 16:50 - Atualizado em 03/01/2018 - 18:05

Cachorro, que aparenta ser da raça pastor alemão,
foi encontrado em PG (Foto: Arquivo Pessoal)

Adorada por muitos, a presença de fogos de artifício colorindo o céu na virada do ano pode ter efeitos negativos aos animais de estimação. Quem convive com um pet sabe como pode ser estressante e perigoso, principalmente para os cachorros, lidar com os barulhos feitos pelos explosivos.

A cada novo ano que se inicia, os relatos são recorrentes. Na véspera de Ano-Novo, uma cadelinha da raça Shihtzu foi salva em Goiânia (GO), após cair da sacada, desorientada com o barulho causado pelos artefatos.

Em Praia Grande, uma moradora da Vila Tupi evitou que o pior acontecesse com um outro animal e agora está empenhada em encontrar o dono dele. 

Assustado e cansado, também no último domingo (31), o cachorro, que aparenta ser da raça pastor alemão corria entre os carros que passavam pela Rua Rubens Gonçalves de Freitas. "Quando abri o portão da minha casa e o vi, todo assustado, tentei ajudá-lo. Cortou meu coração. Ele ouvia as bombas (rojões) e corria, quase foi atropelado. Gritei muito, mas ele fugiu. Peguei meu carro e fui atrás dele, não tinha como deixar ele sozinho com medo, sofrendo desse jeito", relata Zilda Zulato. 

Após conseguir colocar o cachorro no carro, voltou para casa, onde mora com a mãe e outros seis animais, todos de porte pequeno. "Estou cuidando dele, mas meus outros cachorros não aceitam e não tenho também como trazer mais um (para casa). Encontrei ele muito bem cuidado, mas sem coleira. Parece ser novinho. E é treinado, entende palavras como deita, senta, não... Com certeza tem um dono, quero achá-lo".

Zilda conta que o animal estava cansado, como se já tivesse percorrido um longo caminho até chegar ali. "Ele pode ter vindo de longe, de algum outro bairro. Estava correndo sem parar".

Menino, como foi batizado temporariamente, poderá ser doado por Zilda caso o dono não seja encontrado. "Tem pessoas já interessadas (em adotar), mas ele está triste, deve estar sentindo falta da família". Para quem tiver qualquer informação sobre os responsáveis, Zilda disponibiliza o telefone (13) 99176-6660.

Convulsão

Os casos citados acima não são pontuais. Principalmente os cachorros, que possuem audição aguçada, sofrem com esse tipo de celebração sonora. Em Santos, um cachorro abrigado na Coordenadoria de Defesa da Vida Animal (Codevida) convulsionou. Socorrido e medicado, ele passa bem.

De acordo com a coordenadora da Codevida, Leila Abreu, esse é o quarto ano seguido que ela passou a virada do ano no abrigo, tentando garantir um pouco de conforto aos animais que aguardam por um lar. Ela conta que, em anos anteriores, ao chegar ao local, no dia seguinte ao Ano-Novo, o encontrava em estado lastimável.

''A Codevida fica perto do morro, então o barulho dos fogos era muito forte. Eles sofrem demais. O pânico é tão grande que eles até defecavam. Muita gente também me ligou pedindo socorro, mas pouco podemos fazer nesses momentos. Há vários animais perdidos e notícias de cachorros que morreram também", relata.

Segundo Leila, o fim dos fogos com barulho vai além de leis estarem em vigor. "Infelizmente é uma questão de educação. As pessoas precisam se conscientizar. Mesmo nas cidades onde há lei que proíbe (os fogos sonoros), as pessoas não deixam de soltar fogos. Isso de alguma forma precisa mudar. Todas as cidades precisam parar de fazer Réveillon com barulho para poder punir quem faz".

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