Barreira para evitar ressaca na Ponta da Praia passa no primeiro teste

Camada de areia no fundo do mar se elevou em média 13 centímetros. Análise definitiva será feita em abril de 2019

14/08/2018 - 12:50 - Atualizado em 14/08/2018 - 12:57

Um dos objetivos do projeto é combater a alta das marés no bairro (Foto: Rafael Motta/AT)

Os bags (sacos) de areia – barreira submersa instalada no mar para minimizar os efeitos da erosão e os danos provocados pelas ressacas na Ponta da Praia, em Santos) – passaram no primeiro teste. Análises iniciais indicam ainda que a camada de areia no fundo se elevou em média 13 centímetros no trecho compreendido entre a obra e a mureta da praia.

As informações foram reveladas com exclusividade para A Tribuna pelo professor do Departamento de Recursos Hídricos da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (FEC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Tiago Zenker Gireli.

Embora o pesquisador demonstre otimismo com o comportamento dos bags, ele assegura que uma avaliação conclusiva será possível após um ano de registros de mediação no local (que deve ocorrer em abril de 2019).

Um dos autores do projeto santista – em conjunto com a também docente da instituição paulista, Patrícia Dalsoglio Garcia –, ele explica que a barreira se comportou conforme previsto no modelo computacional. “É possível afirmar que a estrutura não sofreu qualquer dano em decorrência do evento de maré meteorológica deste final de semana”, assegura Gireli.

Ele explica que, apesar de a maré ter se elevado, as ondas mais fortes ficaram concentradas em frente à Ilha das Palmas. “A condição, embora crítica em termos de inundação costeira, não é problemática para a obra”, afirma, ao analisar que a barreira foi projetada para reduzir os danos gerados pela força da água.

A mesma elevação da maré acabou por intensificar o assoreamento de alguns dos canais na orla de Santos.

Em nota, a Prefeitura assegura que não houve registro de incidente no trecho submerso, pois os bags foram projetados para diminuir danos de ressacas e não para evitar os efeitos com o aumento do nível do mar. Afirma ainda que o monitoramento no local continua.

Mais areia

A barreira submersa, com cerca de 500 metros, em formato de L, é composta por 49 sacos geotêxtis preenchidos com areia (veja abaixo). A estrutura foi erguida para combater condições de erosão que fez encolher a faixa da orla na Ponta da Praia. Análise preliminar indicam que a batimetria (medição da profundidade do mar) já apresenta melhoras.

Gireli cita que os levantamentos iniciais demonstram a elevação de 13 centímetros no fundo do mar do entre as estruturas submersa e a mureta da praia. A conclusão se dá por meio de medições entre janeiro (antes do início das obras) e julho. Os relatórios são produzidos bimestralmente para detalhar o nivelamento dos bags e avaliar o engordamento da faixa de areia.

“Alguns pontos mais próximos aos bags chegaram a se elevar em mais de 60 centímetros, o que corresponde ao esperado. Para a (faixa de areia da) praia reaparecer é necessário que a areia se acumule primeiro na parte submersa até a parte emersa”, explica.

Isso representou um ganho de mais de 10 mil metros cúbicos de areia no trecho. Os pesquisadores esperam que no futuro o projeto possa ser ampliada em três quilômetros (entre a Ponta da Praia e o Canal 4), cessando o recuo que a linha da costa vem sofrendo nessa região.

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