Baixada Santista terá primeiro hotel de alto luxo em agosto

Sheraton Santos Hotel será fruto de parceria entre Marriott International e Grupo Mendes

16/05/2018 - 08:10 - Atualizado em 16/05/2018 - 10:06

Sheraton Santos Hotel será o primeiro cinco estrelas da Cidade (Foto: Carlos Nogueira/AT)

Apesar dos tímidos indicadores econômicos nacionais, a região entra na rota internacional de turismo voltado àqueles que não abrem mão de mais conforto na hora de se hospedar. A partir do segundo semestre, a Baixada Santista passa a dispor de um hotel de luxo: o Sheraton Santos Hotel.

Parceria da Marriott International com o Grupo Mendes, o empreendimento, erguido no Bairro Aparecida, teve investimento superior a R$ 90 milhões. Voltado para o mercado corporativo, o hotel será o primeiro da região a receber a classificação real de cinco estrelas (alto luxo).

A abertura desse hotel de bandeira internacional encerra o ciclo de expansão da rede hoteleira regional, no qual a oferta local de leitos foi ampliada 65% nos últimos anos. Em 2010, por exemplo, a Cidade tinha 2,9 mil leitos e deve encerrar o ano com quase 5 mil.

Ao menos 200 empregos diretos devem ser criados com a abertura do equipamento de alto luxo. “O futuro hotel vai diversificar o público e será um atrativo a mais”, descreve o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da região (SinhoRes), Salvador Gonçalves Lopes.

De acordo com o diretor do Grupo Mendes, Alex Mendes, a aposta é que o hotel sirva ao executivo de negócios em viagem e ao público familiar, nos finais de semana. A escolha pelo segmento de diárias com maiores custos deriva da fartura de equipamentos de menor valor.

“O mercado de hotéis econômicos em Santos já está saturado. Isso nos levou a buscar o segmento de luxo. Avaliamos diversas redes hoteleiras e optamos por escolher a que mais se encaixava com a expectativa de serviço, qualidade e conforto para o público de Santos”. Os valores das diárias não foram divulgados.

Fase final

O ritmo de trabalho no local é tão intenso quanto o grau de sofisticação presente nos mínimos detalhes do espaço. Mendes assegura que os trabalhos se encaminham à fase final e estão concentrados no lobby e no restaurante. “Ainda temos muito trabalho pela frente. A obra não para. Estamos trabalhando de domingo a domingo”, revela.

O ritmo acelerado das intervenções se deve para concluir a decoração e os últimos detalhes do empreendimento no cronograma proposto. Pelos planos do grupo econômico, a abertura das portas do Sheraton Santos Hotel ocorrerá em 2 de agosto.

A data é simbólica para a empresa. “É o aniversário do meu pai, Armênio Mendes (falecido em outubro passado), que idealizou todo este projeto, que passa ser um marco para a Santos, trazendo tecnologia, inovação e uma bandeira de hotel internacional para a Cidade”, comenta.

O grupo empresarial cogitou outras bandeiras para o futuro hotel. A escolha, no entanto, também ocorreu por motivos sentimentais. “Foi em função de um gosto pessoal do meu pai, que gostava de se hospedar em unidades da rede (Sheraton) quando viajava”, conta Alex Mendes.

Com 212 quartos de sete tipologias variadas, restaurante mediterrâneo e centro de convenções, o hotel faz parte do complexo Praiamar Corporate (de frente ao shopping de mesmo nome). O empreendimento começou a ser erguido em 2015 e custou R$ 350 milhões.

De uso misto, a edificação inclui ainda um residencial e salas comerciais. O executivo explica que o projeto do espaço multiuso nasceu para atender ao mercado corporativo.

“Com a crise e o alto nível de vacância no mercado, nasceram o Sheraton e o residencial”, detalha.

Sente crise

Com a nova bandeira, a rede hoteleira santista deve chegar ao final do ano com quase cinco mil leitos – são atualmente 4.851 quartos distribuídos em 25 hotéis. O presidente do SinHoRes, Salvador Gonçalves Lopes, afirma que não há mais projetos para a construção de novos empreendimentos desse tipo na Cidade.

“O setor hoteleiro regional sente os efeitos da crise. Esse fenômeno não é apenas aqui, mas em todo o Brasil”, diz. Apenas neste ano, duas novas bandeiras chegaram à Cidade: Park-inn by Radisson e Ibis Budget. Contudo, o quase centenário Avenida Palace, no Gonzaga, fechou as portas. Em 2017, o Praiano também encerrou as atividades.

Levantamento da Seção de Pesquisa Turística da Secretaria de Turismo de Santos aponta que a média de ocupação hoteleira no Município é de 43,4% entre março e outubro. O estudo foi realizado em 16 estabelecimentos santistas. Lopes salienta que essa taxa ultrapassa a 60% nos feriados prolongados durante a baixa temporada.

O setor considera os números reduzidos. O presidente do SinHoRes alega que o percentual de ocupação deixa a margem de lucro quase nula. “Os empresários (do setor) tentam manter o quadro de funcionários. Aliás, eles pensam positivamente. Assim que a economia voltar a crescer, as contratações retomam o mesmo ritmo”.

Veja Mais