Bactérias humanas são encontradas em fezes de pombos

É o que revela pesquisa realizada pela Universidade Santa Cecília em Santos e São Vicente

24/01/2016 - 15:47 - Atualizado em 24/01/2016 - 15:54

Estudo aponta que a população de
pombos cresceu 43% em Santos

Protozoários e bactérias até então comuns aos seres humanos estão sendo encontrados em fezes de pombos de Santos e de São Vicente. É o que revela pesquisa realizada pela Universidade Santa Cecília (Unisanta) nas duas cidades.

 

Os resultados das 311 amostras de fezes dos bichos recolhidas sugerem que doenças humanas estão presentes nos excrementos das aves. O coordenador da pesquisa, o médico veterinário Eduardo Filetti, alerta que esse fato pode contribuir para a disseminação de doenças para a população.

O estudo foi realizado entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2016, em 133 pontos dos municípios. As análises foram feitas com a participação de alunos do curso de Ciências Biológicas da Unisanta. Eles encontraram protozoários comuns ao trato intestinal do ser humano e bactérias nocivas ao homem.

Uma delas é o e o verme Ascaris lumbricoides, a lombriga, além da bactéria causadora da salmonelose. Outro organismo verificado foi o protozoário Giardia sp, muito comum em frutas e legumes mal lavados e causador da giardíase, uma infecção.

Esses organismos não são mortais para todas as pessoas. Segundo Filetti, boa parte dos protozoários e bactérias encontrada é mais danosa para quem tem imunidade reduzida. “Mesmo assim, a liberação deles no meio ambiente pode contaminar água e alimentos, provocando maior disseminação dos agentes”.

Diga-me o que come…

Filetti explica o caminho que esses agentes fizeram até chegar nos excrementos dos pombos. Quando são encontrados no cocô das aves, agentes que poderiam estar presentes nas fezes humanas, significa que os bichos tiveram contato com alimentos contaminados.

“Os pombos antes comiam apenas grãos. Agora, eles estão se alimentando em sacos de lixo, em aterros sanitários, cemitérios. Ou seja, estão ingerindo alimentos que estão contaminados pelas fezes humanas”, analisa Filetti.

A reação, frisa o especialista, gera um movimento em cadeia. “Os pombos acabam excretando material contaminado sobre grãos, verduras, legumes e frutas armazenadas. Isso provoca ainda mais disseminação dos agentes”.

As fezes dos pombos também podem causar conjuntivite, infecções nos ouvidos e na pele. Geralmente, elas são facilmente curadas com o tratamento adequado. O problema maior se dá em relação aos excrementos secos dos animais. 

As fezes secas podem conter fungos de difícil diagnóstico que, ao entrar em contato com o ser humano, podem causar doenças graves, como a histoplasmose e a criptococose. 

Hiperpopulação

O estudo coordenado por Filetti também concluiu que aumentou a população de pombos em Santos e São Vicente. Em 2007, havia 160 mil bichos da espécie em território santista. Agora, estima que são 230 mil — aumento de 43,75%.

Em São Vicente, são mais de 190 mil aves. A explicação para o boom na taxa de natalidade dos pombos é simples: alimento em abundância no Porto, combinado com grande quantidade de pessoas alimentando essas aves, com grãos e pães.

Para o veterinário, o Poder Público deveria investir em programas de controle dessa população. Filetti cita a criação de pombais, onde seria possível fazer a troca de ovos reais por de plástico e o fornecimento de ração com substâncias anticoncepcionais.

“Em várias cidades do mundo, você paga uma taxa irrisória para comprar alimento para os pombos. Naquela comida já tem um anticoncepcional. É possível fazer controle sem fazer matança”. 

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