Aumentam invasões próximo ao Rio Pompeba, em São Vicente

Denúncia foi feita pelos moradores da área, que fica na Cidade Náutica

07/11/2017 - 21:53 - Atualizado em 07/11/2017 - 22:08

 

Uma área verde às margens do Rio Pompeba, na Cidade Náutica, em São Vicente, vem sendo desmatada desde o ano passado e usada como depósito de pilhas de entulho. Segundo a vizinhança, as ações têm um único objetivo: assorear o rio para a construção de moradias irregulares na Avenida Marechal Juarez Távora.

Conforme apurado pela Reportagem, o processo de invasão teve início em 2016, quando espaços chegaram a ser demarcados. Entretanto, denúncias foram feitas e fizeram a Polícia Militar Ambiental posicionar viaturas no local todos os dias.

“O problema é que, com o passar do tempo, as viaturas foram embora. Com isso, a invasão passou a ser feita discretamente. Quase todos os dias vêm caminhões despejar caçambas de entulho dentro do rio para deixar tudo assoreado. Além disso, várias árvores foram cortadas. Do jeito que está, já dá para construir uns quatro ou cinco barracos”, comenta o proprietário de uma das casas da avenida, sem revelar a identidade por medo de sofrer represálias.

A área verde em questão fica ao lado de uma favela no Pompeba. Porém, os moradores não sabem dizer se o desmatamento e o despejo de entulho têm origem em moradores dessa comunidade. Em uma caminhada pelo espaço de vegetação e às margens do Rio Pompeba é fácil notar que as árvores foram cortadas quase que na ra

Área verde tem sido desmatada para dar espaço a construções irregulares (Carlos Nogueira/AT)

Alagamento

Moradora do bairro há 46 anos, uma dona de casa que também prefere não se identificar conta que tem sido comum a Avenida Marechal Juarez Távora ficar embaixo d’água desde que caminhões passaram a despejar entulhos na área verde.

“Qualquer chuvinha que caia já é suficiente para sofrermos com enchentes. Tem dias que nem precisa chover. É só a maré subir que começamos a sofrer. O meu quintal nunca viu tanta água como nesse último ano”.

Ainda de acordo com a dona de casa, há cerca de quatro meses funcionários da Prefeitura e policiais militares ambientais flagraram pessoas deixando entulhos no local. “Aí foi uma tremenda correria pra tudo que é lado. Vários correram para dentro da favela do Pompeba”.

Prefeitura

A Prefeitura de São Vicente informou que tem conhecimento do ocorrido e que o terreno em questão pertence à Secretaria de Patrimônio da União (SPU).

Ainda assim, a Administração Municipal afirma que, em parceria com a Defesa Civil, Polícia Militar e o pelotão ambiental da Guarda Municipal, vem realizando apurações no local.

“Está sendo programada uma força-tarefa no Pompeba para coibir as irregularidades e retirar os resíduos. Além disso, vem sendo preparada a execução de um projeto de recuperação ambiental na área, com agentes comunitários”, diz a Prefeitura, por meio de nota.

Também procuradas sobre quais medidas pretendem tomar para impedir a invasão do terreno às margens do Rio Pompeba, a SPU e a Polícia Militar Ambiental não deram retorno à Reportagem até o fechamento desta edição.

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