Auditores fiscais entram na terceira semana de greve

Categoria critica o Governo Federal pelo não cumprimento do acordo salarial, que prevê o pagamento de perdas de inflações anteriores

14/11/2017 - 13:00 - Atualizado em 14/11/2017 - 13:20

Greve prejudicará cada vez mais as importações e exportações do País (Arquivo)

Os auditores fiscais da Receita Federal entraram na terceira semana de greve sem previsão de voltar ao trabalho. Os profissionais culpam o Governo pelo não cumprimento de um acordo salarial, que garante o pagamento de uma recomposição de 20%, dividida em quatro anos, em parcelas de 5%, até 2019. O benefício foi adiado para 2019 e 2020.

“O Governo Federal entrou com uma Medida Provisória que adia o pagamento de janeiro de 2018 e de janeiro 2019. Descumpriram a lei assinada em dezembro de 2016. (O valor) é uma recomposição da inflação de anos anteriores”, diz Renato Tavares, presidente Sindicato dos Auditores Fiscais (Sindifisco) em Santos

A categoria também critica o aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14% e promete ampliar os protestos caso o acordo não seja cumprido e o servidor continue desvalorizado.

A greve traz prejuízos para o Governo e para nós. Vai chegar uma hora, que, no final de novembro, tudo o que foi importado ou está para exportação vai ficar parado em armazéns. Principalmente nesse período do Natal, diz Tavares 

Segundo a entidade, cada dia de paralisação na Alfândega ocasiona um atraso de R$ 100 milhões no recolhimento de impostos federais e um acúmulo de 2 mil a 3 mil containeres para liberação de cargas ao País.

Tavares explica que dos 120 auditores que atuam na Alfândega e 60 na Delegacia Federal, apenas 30% está em operação. “Temos que manter o que determina a lei”.

No entanto, o presidente do Sindifisco de Santos deixa claro que a paralisação continua forte e com o aval da Justiça. “Conseguimos uma liminar nacional que impede os descontos dos dias parados. A greve é legal”.

A greve

Os protestos começaram no dia 1º de novembro, quando 70% dos auditores deixaram de comparecer aos postos de trabalho, entre as terças e quintas-feiras. Nas segundas e sextas, os profissionais marcam presença, mas mantém os computadores desligados.

Atendimentos

O presidente informa que, na Alfândega, só serão liberadas cargas consideradas essenciais como medicamentos, insumos hospitalares, animais vivos e alimentação de bordo para tripulantes de navios.

Já na Delegacia da Receita Federal haverá a paralisação de todos os grupos e equipes de trabalho, projetos, reuniões gerenciais e todas as demais iniciativas que importem em incremento de arrecadação. Porém, casos de liminares, mandados judiciais e pedidos de juízes serão atendidos respeitando os prazos limites.  

Receita Federal

Em nota, a Receita Federal informou que não se manifestará sobre o assunto. 

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