Assédio sexual também ocorre nas escolas, segundo pesquisa

Quase metade dos estudantes consultados em pesquisa diz ter recebido investidas, mas seis em cada dez não reagiram; falta debate

09/05/2017 - 14:35 - Atualizado em 09/05/2017 - 14:50

O assédio sexual tem se tornado comum entre jovens dos 12 aos 31 anos, até em escolas, principalmente de Ensino Médio. Assim revela uma pesquisa com 2.560 pessoas dessa faixa etária em dez estados brasileiros. Do total, 46,4% afirmaram já ter sofrido assédio na escola, e 58,9% destes afirmaram que não ligaram ou agiram naturalmente.

Na Baixada Santista, as secretarias de Educação dos municípios declaram que o tema já está em seu currículo para ser discutido – ou será colocado em breve.

A pesquisa foi feita pela escola de informática e inglês Microcamp, que passou o questionário, sem necessidade de identificação, a alunos de colégios de dez estados: São Paulo (41), Alagoas (um), Espírito Santo (dois), Goiás (um) , Mato Grosso do Sul (um), Minas Gerais (seis), Paraná (três), Rio de Janeiro (dez), Rio Grande do Sul (um) e Santa Catarina (um).

Do público entrevistado, 66,1% eram mulheres e 33,8%, homens, com idade entre 12 e 31 anos. Quase três quartos (73,2%) tinham entre 12 e 21 anos e, desse total, 60,7% cursavam o Ensino Médio; 19,6% frequentavam o Ensino Superior; 12,5%, o Ensino Fundamental II; e 7,1% eram alunos de colégios técnicos.

De acordo com a pesquisa, 83,9% afirmaram saber exatamente o que é assédio sexual. Apesar de mais da metade não ter dado importância para esse tipo de investida, 3,4% revelaram medo e pediram para não ir mais à escola.

Para Helder Hidalgo, psicólogo e coordenador de cursos da instituição que promoveu a pesquisa, os estudantes precisam saber de seus direitos e ser informados de que o assédio pode trazer danos psicológicos. “É uma ofensa punível e não, algo a ser tratado com naturalidade”.

Assédio é “ofensa punível e não, algo a ser tratado com naturalidade”, diz psicólogo Helder Hidalgo

Maioria não discute

Também se questionou se o assunto é discutido em sala de aula: 64,3% responderam que não, e 98,2% acham importante debater o tema na escola.

O Ministério da Educação (MEC) não tem uma diretriz para que todas as escolas do Brasil tratem o tema da mesma forma. Por nota, afirma que só comenta pesquisas elaboradas pelo governo.

O Conselho Nacional de Educação (CNE), que elabora a regulamentação da Educação Básica na Câmara de Educação Básica, alega não ter nenhum documento normativo que trate sobre o assunto.

A Secretaria da Educação do Estado explica que realiza ações nas áreas de educação em sexualidade, gênero e diversidade sexual. Os temas são tratados de maneira transversal, principalmente em Ciências,e ainda há projetos como Prevenção também se Ensina, com materiais didáticos e pedagógicos nos quais se abordam gênero, sexualidade, direitos humanos e violência sexual e as videoconferências, com orientações técnicas, cursos e debates para educadores. 

Na Baixada Santista, as prefeituras, responsáveis por escolas de Ensino Fundamental explicam como abordam o tema. Somente Bertioga discute com diretores como tratar do assunto

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