Após surgimento de microalgas tóxicas, grupo quer montar Plano de Contingência

Trabalho envolve as secretarias estaduais de Saúde, Meio Ambiente e Agricultura

04/10/2017 - 15:15 - Atualizado em 04/10/2017 - 15:15

Floração de microalgas voltou a ser avistada em setembro deste ano (Foto: Divulgação/Cetesb)

Um grupo de trabalho envolvendo as secretarias de Saúde, Meio Ambiente e Agricultura do Estado foi criado para estabelecer diretrizes para enfrentar ocorrências de florações de algas tóxicas no Litoral Paulista. A iniciativa tem como objetivo definir, até o próximo ano, um Plano de Contingência a ser adotado em episódios como o de junho do ano passado, quando microalgas tóxicas foram avistadas no Litoral.

Na ocasião, moradores que consumiram mexilhões relataram sintomas de intoxicação, como diarreia. Por conta disso, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) alertou as prefeituras da região, autoridades da saúde e do setor de pesca recomendando a suspensão do consumo de moluscos como mexilhões e ostras, em áreas onde foram identificadas a presença das algas tóxicas. Banhistas também foram orientados a evitar o contato direto com a água em áreas onde a presença de uma mancha avermelhada fosse visível.

Em junho do ano passado, microalgas tóxicas
foram identificadas no Litoral (Foto: Silvio Luiz/AT)

Para a troca de experiências sobre o assunto, a gerente do setor de Comunidades Aquáticas da Cetesb, Maria do Carmo Carvalho, conta que um workshop foi realizado na última semana, no Centro de Vigilância Epidemiológica, na Capital.

O encontro teve a participação de profissionais de Santa Catarina, maior produtor de moluscos, e que já adota um plano de monitoramento focado ao aparecimento desses organismos.

“Quando as reuniões desse grupo começaram, percebemos que precisaríamos conhecer mais as situações envolvendo floração de algas. Por isso, fizemos esse workshop com esses pesquisadores de Santa Catarina, que tem mais expertise sobre o assunto”.

A previsão é que o Plano de Contingência do Litoral Paulista seja concluído até o início do próximo ano. “Esse grupo de trabalho ainda está no início de suas atividades. Estamos montando esse plano, adquirindo conhecimentos e definindo competências de cada instituição”, explica a especialista, ressaltando que, apesar do aparecimento recente de microalgas em algumas praias da Baixada Santista e do Litoral Norte, o episódio não teve relação com o de junho do ano passado.

Em setembro deste ano, a Cetesb chegou a emitir um alerta orientando os banhistas para evitar o banho de mar nas praias da região, em razão da ocorrência de microalgas, identificadas por manchas marrom avermelhadas, decorrentes de uma floração de dinoflagelados. Esses organismos, de acordo com a o órgão, quando presentes em altas densidades, provocam irritação na pele.

“Tivemos uma floração grande na véspera do feriado de setembro e ficamos em alerta. Tentamos identificar esses organismos, que poderiam ter potencial tóxico, mas detectamos, após alguns testes, que não houve mortandade de peixes, nem intoxicação. Tudo indica que não tenha sido tóxico. Por isso, esse episódio também passou a ser um estudo de caso para o grupo”, ressalta Maria do Carmo, que acredita que o surgimento destes organismos possa estar relacionado às mudanças climáticas.

“Cada espécie de microalga tem uma sazonalidade. Às vezes, o aparecimento desses organismos tem relação com a frente fria, como foi o caso do ano passado. Este ano houve algumas situações que os especialistas podem atribuir, por exemplo, à variação da maré, que deixou os sedimentos mais expostos. Com um plano de contingenciamento, você consegue adotar ações mais preventivas”.  

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