Após negociação, caminhoneiros encerram greve no Porto de Santos

Entre itens acordados com o Governo do Estado estão parcelamento do IPVA e pontos de parada em rodovias com diesel mais barato

31/05/2018 - 23:03 - Atualizado em 01/06/2018 - 08:38

Assembleia com caminhoneiros foi realizada na noite desta quinta (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

Um dos últimos focos de paralisação no Estado, a greve dos caminhoneiros no Porto de Santos foi encerrada às 22h30 desta quinta-feira (31), 11 dias após seu início. A decisão foi tomada em assembleia realizada no Retão da Alemoa, conhecido como ponto de concentração dos grevistas. Antes, um grupo representando três grandes associações, que congregam cerca de 1.600 caminhoneiros autônomos, foi recebido pelo governador Márcio França no Palácio do Bandeirantes.

A comissão que representa a categoria havia dado ultimato até as 18 horas desta sexta-feira (1º) para que o governador definisse uma contraproposta à nova lista de reivindicação apresentada pelos autônomos na quarta-feira (29), quando França esteve em Santos e recebeu pedido para ampliar o limite de pontos na Carteira Nacional de Habilitação para os caminhoneiros, além do valor mínimo nacional para o frete e do diesel limitado a R$ 2,50.

Na negociação desta quinta-feira (31), o governador ofereceu o parcelamento do IPVA dos caminhões em seis vezes e a garantia de que os autônomos vão contar com dez pontos de parada nas rodovias, sendo quatro no Rodoanel, onde terão à disposição pontos de abastecimento com diesel entre 10% e 15% mais barato.

Em um vídeo gravado ao lado dos sindicalistas, França garantiu que tudo o que ficou combinado o com a categoria será cumprido pelo Estado. Desde esta quinta-feira (31), está em vigor o fim da cobrança do eixo erguido nas rodovias paulistas. Para compensar a perda de arrecadação das concessionárias, o governo vai prorrogar a validade dos contratos de concessão, que inclui o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI). 

“Quem sabe vamos conseguir outros benefícios pela frente. No Governo de São Paulo vocês podem confiar”, disse França na mensagem gravada após a reunião. O vídeo seria repassado aos grupos de WhatsApp dos caminhoneiros autônomos.

Reflexos

Deflagrada no último dia 21, a greve afetou o maior porto do Brasil. A paralisação, provocada pela insatisfação com o valor do óleo diesel, bloqueou acessos ao complexo portuário e mudou o cenário nas cidades da Baixada Santista. Com os caminhões impedidos de chegar à região, o desabastecimento em postos de combustível e no comércio de produtos alimentícios foi inevitável. Aulas nas redes pública e particular foram suspensas. O transporte foi afetado.

Na quarta-feira (30), a Tropa de Choque da Polícia Militar foi acionada para iniciar a liberação dos acessos ao porto. Na manhã desta quinta, foi deflagrada a 'Operação Caiçara', que contou com 1.500 agentes das Forças Armadas, Polícia Militar, Guarda Portuária e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). 

Agora, com a retomada do fluxo de caminhões e o término oficial da greve no Porto de Santos, representantes do setor portuário estudam como evitar congestionamentos no complexo portuário, uma vez que uma grande quantidade de cargas represadas começa a circular nas próximas semanas.

Veja Mais