Amigas têm tímpano perfurado minutos antes da queima de fogos em Santos

Jovens estavam no jardim da praia, quando um homem soltou um rojão; uma delas também passou por cirurgia em um dos braços

03/01/2018 - 15:30 - Atualizado em 03/01/2018 - 16:15

Maria Eduarda sofreu ferimento no braço e teve o tímpano perfurado (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

O desejo de virar o ano na praia, se transformou em um verdadeiro pesadelo para duas famílias de Santos. Duas jovens, que se dirigiam à orla da praia, na Aparecida, na altura do Canal 6, foram atingidas por um rojão minutos antes da queima de fogos. As adolescentes tiveram ferimentos nos braços e sofreram perfuramento dos tímpanos. Uma delas ainda chegou a ser submetida a um procedimento cirúrgico.

A mãe de uma das adolescentes, a professora Ana Paula Vicente Martins, 46, conversou com a Reportagem e relatou o drama das duas famílias, que tiveram os festejos interrompidos após a ação criminosa.

“Fazia tempo que não íamos à praia na virada do ano. A Maria Eduarda é escoteira e queria assistir a queima de fogos ao lado de uma amiga, a Gabriella. Compramos rosas, champagne, tudo que tem direito e, quando chegamos em frente a Brunella, às 23h57, uma pessoa estourou um rojão bem em cima da minha filha e da amiga”, relata a mãe ainda emocionada.

Segundo Ana Paula, a filha, Maria Eduarda, de 15 anos, estava abraçada com a amiga, quando o rojão foi disparado ao seu lado, no jardim da praia. “Ela já virou em minha direção com a mão no ouvido, com o braço machucado e com a blusa e o cabelo queimados. Na hora ficamos estarrecidos”.

Gabriela teve ferimentos no braço e precisou 
passar por microcirurgia (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

Buraco no braço 

A mãe da outra adolescente de 18 anos, a empresária Teresa Cristina Bulgarin Monteiro, 53, recorda os últimos minutos antes da tragédia. “Não havíamos chegado nem próximo à areia da praia quando, após atravessar a ciclovia, vi meu marido caído no chão. Quando fui ver o que havia acontecido, encontrei minha filha toda ensanguentada. Ela tinha um buraco imenso no braço”. 

Segundo Cristina, um homem que estava soltando rojões ao lado do marido foi abordado, mas acabou fugindo do local, assim que o casal foi prestar atendimento à filha. “O meu marido não percebeu que a Gabriela havia sido atingida. Na hora, ele chegou a abordar o cara e iria levá-lo até a polícia, mas assim que soube que a filha foi atingida, o largou”, conta a mãe que imediatamente deixou a orla da praia e procurou ajuda médica. 

No hospital, em razão do ferimento sofrido pela adolescente, uma microcirurgia precisou ser realizada. “O ferimento, cinco dedos abaixo do ombro, chegou a atingir o músculo dela. O nosso maior medo era que ela, que acabou de entrar na faculdade de Medicina, tivesse algum tendão atingido e perdesse os movimentos. Mas graças a Deus, isso não aconteceu”. 

Já Ana Paula, mãe da adolescente Maria Eduarda, procurou no local a ajuda de policiais.  “Paramos a polícia, mas eles não tinham como limpar o ferimento. Queriam nos levar ao hospital, mas eu estava sem documento, sem telefone. Voltamos à minha casa para eu também poder colocar uma roupa na Maria Eduarda. Como haviam algumas viaturas paradas, eles nos levaram até em casa e de lá segui para o PS da Afonso Pena”.

Tímpano perfurado

Após realizar a limpeza do ferimento, Maria Eduarda passou por exames que confirmaram que a jovem havia sofrido uma perfuração no tímpano direito. “Havia um sangramento interno e ela foi medicada. Ainda não sabemos se haverá sequelas”, comenta Ana Paula, que também lamenta pelo sofrimento da amiga da filha.

“A situação dela é ainda pior, porque foi a primeira a sofrer o impacto do rojão. Ela, além de ter sido submetida à uma cirurgia, sofreu queimaduras de pólvora no rosto. E, assim como a Maria Eduarda, também teve o tímpano perfurado”, conta a professora, que decidiu compartilhar o caso nas redes sociais, a fim de sensibilizar outras pessoas sobre os riscos de artefatos explosivos. 

“Não sou de publicar nada no Facebook, mas o meu intuito foi o de chamar a atenção, as pessoas deveriam ter consciência de seus atos”, desabafa a professora que também lamenta a falta de auxílio de pessoas que estavam na orla. “Foi coisa de minutos, mas fiquei triste porque ninguém nos ajudou”.

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