Ambulantes de Praia Grande protestam contra proibição de trabalho

Profissionais não podem vender na praia desde sexta-feira devido a problemas nas licenças dos carrinhos

03/12/2017 - 10:30 - Atualizado em 03/12/2017 - 15:47

Ambulantes estiveram na praia para uma passeata
em protesto contra a proibição de atuarem na orla

Quase uma centena de ambulantes que atuavam nas areias de Praia Grande protestaram em passeata pelo Boqueirão, neste domingo (03), porque a prefeitura não renovou licenças de trabalho. Eles fazem um abaixo-assinado para tentar provar que munícipes e turistas os querem de volta aos postos. A ideia é levar ao prefeito Alberto Mourão (PSDB). 

A proibição, segundo os carrinheiros de praia, vai de 2 de dezembro até 28 de fevereiro – período de maior movimento devido à alta temporada. 

Alexandre Antero Simões, de 43 anos, que atua há três com um carrinho, diz que são cerca de dez pessoas que ele emprega no fim do ano. “Todo mundo é pai de família e precisa trabalhar. Não conseguimos mais entrar na praia”.

De acordo com os manifestantes, cerca de 500 carrinheiros foram prejudicados, mas não só eles. Adilson Santos, de 33 anos, do carrinho André e Lu, com 18 anos de funcionamento, explica. “Na temporada a gente emprega de oito a dez pessoas cada carrinho. Então não são 500 carrinheiros. A gente está falando de cinco mil famílias. Foi de um dia para o outro. Se falassem antes a gente não tinha investido e se preparado para o verão”, reclama.

Caroline Munarin, de 26 anos, carrinheira há sete, aponta que investimento para a temporada é de cerca de R$ 10 mil – e muitos já fizeram os gastos. “E ele (o prefeito) simplesmente tomou a decisão, comunicou e colocou a equipe de fiscais na praia e não deu chance de a gente se manifestar e ir atrás dos nossos direitos. Dizem que querem fazer revitalização na orla, redefinir os quiosques e alegam que, enquanto isso não for decidido, a gente não trabalha. Porque não falaram antes?”

Igor Rafael, de 37 anos, também carrinheiro que está sem trabalho, diz que a prefeitura não deu nem a opção de redistribuir o trabalho para outros locais da cidade. “A gente não se importa de pagar imposto, mas queremos que liberem a nossa licença. Parece que o prefeito não gosta de quem não tem dinheiro”, diz. 

Ambulantes dizem que passageiro do carro da Prefeitura passou tirando fotos (Maria Del Carmen/ WhatsApp)

Resposta

A prefeitura diz que recebeu diversas reclamações de frequentadores e também dos trabalhadores da praia, sobre a ocupação exagerada de cadeiras e guarda-sóis colocados pelos comerciantes na areia, além da questão da higiene e segurança dos equipamentos, inclusive com um carrinho que pegou fogo em atividade. 

Em nota, a administração municipal disse ainda que o óleo utilizado para fritura vinha sendo despejado na areia e nos canais e que nenhum ambulante cumpria a lei sobre cada um ter três tambores de 100 litros para jogar o lixo e rastelar o entorno. Isso, além das reclamações trabalhistas por trabalhadores clandestinos. 

Por isso, a Prefeitura, dentro do limite, cadastrou pessoas que não tinham renda para obterem licença social, após apuração com visitas de assistentes sociais. Descobriu que muitos permissionários alugavam ou vendiam licenças, o que é ilegal. E após reunião solicitando documentos, os que não compareceram, estão reclamando. Assim, a fiscalização segue pois segundo a prefeitura, nenhum ambulante foi impedido de renovar sua licença. Aliás, o prazo para esta ação foi prorrogado por duas vezes.Venceu no último dia 30.

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