Ajuste das finanças pessoais começa no próprio emprego

Empresa do Porto de Santos desenvolve curso que ajuda funcionário a sair do vermelho

12/02/2017 - 16:32 - Atualizado em 12/02/2017 - 18:02

Durante um mês, 30 funcionários de vários setores da operadora portuária Santos Brasil deixaram suas funções por 90 minutos semanais para se aprofundarem em uma área sem ligação direta com seus empregos, mas fundamentais para suas vidas: finanças pessoais. 

A Santos Brasil é a arrendatária dos terminais de Contêineres (Tecon) e Exportação de Veículos (TEV) do Porto de Santos. Segundo o diretor de Gente e Gestão da empresa, Alcino Therezo Júnior, o objetivo com o curso foi mostrar que há maneiras de reduzir custos variáveis de orçamento pessoal através de ações simples do cotidiano. “Desenvolvemos vários cursos e treinamentos sem custo aos nossos funcionários, sempre aproveitando a expertise dos gestores da companhia”. 

Conforme as pesquisas das entidades de crédito, quase 60% das famílias têm algum tipo de dívida. Muitas ainda não deram calote e conseguem honrar seus pagamentos, porém, o risco do desemprego, associado ao endividamento, tira o sono e a produtividade de boa parte dos trabalhadores.

“A educação financeira afeta a vida, o trabalho, a saúde”, afirma o coordenador de Riscos da Santos Brasil, Alann Araújo, contabilista com mestrado em Economia que ministrou o curso de finanças.

Dos 30 alunos, segundo ele, apenas três investiam suas economias, com o restante dividido entre os equilibrados (não exageram no consumo, mas não poupam o recomendado) e os endividados.

Em tempos difíceis no País, Araújo faz uma incômoda pergunta: se perder o emprego hoje, por quanto tempo você manterá seu padrão de vida?” .

Araújo diz que muitos trabalhadores pensam que poupar depende da renda mais elevada. De acordo com ele, o segredo da prosperidade financeira não é quanto se ganha e sim o que consegue guardar.

“Nossos gastos e hábitos se adaptam rapidamente à nossa despesa”, afirma ele. “À medida que a renda sobe, começa-se a dar importância para outras coisas”. 

Quatro passos

Ele conta que a queixa recorrente é não conseguir fazer poupança todo mês. Porém, diz, o planejamento é essencial e quatro passos podem ser dados para ajustar as contas e ter saldo positivo no médio prazo. 

O passo inicial é fazer um diagnóstico das finanças. Araújo sugere utilizar um aplicativo de contas pessoais, uma planilha de Excel ou simplesmente anotar tudo no papel. Deve-se incluir todas as despesas, das tradicionais, como luz e telefone, às variáveis, como balada ou refeição na rua. Faça esse controle durante 30 dias. “Quando se controla os gastos, muitos descobrem hábitos que nem percebiam”. 


O segundo passo é fazer um orçamento, anotando receitas (salários e outros recebimentos) e despesas. Araújo sugere fazer um planejamento anual. No final das contas, aqueles R$</CW> 100 que saem todo mês para um supérfluo, em um ano somarão R$ 1.200, uma bela quantia que podia estar aplicada ou evitar aquele crédito com parcelas que cabem no bolso. 


O coordenador do curso também recomenda fazer uma reserva financeira para imprevistos. O ideal é ter o equivalente entre seis e 12 vezes a média das despesas mensais. “Há trabalhadores que ficam um ano desempregados”, justifica. 


Essa reserva deve ficar aplicada de forma conservadora e com liquidez diária (resgate imediato). Entre as opções estão a caderneta de poupança e títulos do Tesouro corrigidos pela taxa Selic. 

Uma vez atingido o valor da reserva, o poupador já pode começar a buscar rendimentos mais atraentes.


O último passo é não guardar por guardar. “Coloque um propósito na economia que está fazendo”. Defina metas, como viagem, casa nova, troca de carro ou cursos.

Além de ter esse objetivo, o coordenador do curso sugere estimar o valor do alvo (viagem, casa ou carro) e quanto se deve guardar por mês até atingi-lo. “Todos podem fazer um planejamento. Não é preciso ser matemático para isso”.

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