Agentes da Polícia Federal cumprem diligências em prédio de empresa do Porto

Operação acontece após ações em todo o País envolvendo a JBS

18/05/2017 - 10:23 - Atualizado em 18/05/2017 - 12:43

Agentes da Polícia Federal chegaram ao local no início da manhã, descaracterizados (Foto: Carlos Nogueira)

Sete agentes da Polícia Federal cumprem diligências, na manhã desta quinta-feira (18), no prédio do Grupo Rodrimar, empresa portuária, no Centro de Santos. Eles chegaram ao local por volta das 6 horas e, segundo apurado pela Reportagem, não estavam uniformizados quando entraram no edifício. 

A ação na unidade ocorre como parte da operação da Polícia Federal que investiga esquemas de corrupção envolvendo o grupo J&F, controlador do frigorífico JBS. Reportagem do jornal "O Globo", veiculada nesta quarta-feira (17) trouxe informações da delação do dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, que entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma gravação do senador Aécio Neves pedindo a ele R$ 2 milhões.

Questionado pela Reportagem a respeito da operação, o advogado da Rodrimar, José Luiz Macedo, não confirmou a relação da operação com a delação feita à PGR.

Advogado da Rodrimar confirmou que documentos
foram entregues à PF (Foto: Carlos Nogueira)

“A Polícia Federal veio a empresa tentando localizar alguns documentos que estejam vinculados a esta operação desencadeada hoje. Não temos detalhes a respeito da operação. Sabemos apenas que uma empresa investigada é cliente da Rodrimar. Por isso, essa documentação está sendo franqueada. Desconheço o teor da investigação, por isso não podemos esclarecer mais detalhes”. 

Em Santos, a Rodrimar ocupa alguns andares de um edifício situado à Rua General Câmara. Apesar da operação da Polícia Federal, nesta manhã, as atividades no edifício ocorrem normalmente. Apenas alguns funcionários da Rodrimar precisaram deixar seus postos de trabalho durante as diligências cumpridas pelos agentes.  

Gravação

No áudio com duração de cerca de 30 minutos, o presidente nacional do PSDB justifica o pedido dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato. A informação foi divulgada pelo jornal “O Globo” nesta quarta-feira (17). Uma conversa com o presidente Michel Temer também foi denunciada. 

Nesta segunda gravação, o presidente supostamente dá aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.  

A conversa com Temer teria ocorrido no dia 7 de março deste ano, no Palácio do Jaburu, em Brasília. No diálogo, Joesley teria dito ao presidente que estava pagando uma mesada a Cunha e a Lúcio Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara e que também tá preso na Lava Jato, para que ambos ficassem quietos sobre irregularidades envolvendo aliados. “Tem que manter isso, viu?”, disse Temer a Joesley, segundo relatou O Globo.

Em nota, o Palácio do Planalto confirmou que Temer se reuniu com os donos da JBS em março, mas afirmou que o presidente “jamais solicitou pagamentos pra obter o silêncio de Cunha. Não participou nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar. O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias”.

Joesley e Wesley, segundo O Globo, firmaram acordo de delação premiada com a Lava Jato. A colaboração também inclui outros executivos da JBS, a maior empresa do setor de carnes do mundo.

Em seu depoimento aos procuradores, Joesley afirmou que não foi Temer quem determinou a mesada, mas ele tinha pleno conhecimento da operação. No diálogo, captado por um gravador escondido, Temer teria indicado a Joesley o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da JBS no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Na conversa, o empresário ainda perguntou a Temer se poderia tratar “de tudo” com o parlamentar, ao que o presidente teria respondido sucintamente: “Tudo”.

Em gravação entregue aos procuradores e feita em vídeo dias depois, o parlamentar foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil que teria sido enviada por Joesley. Tanto a conversa com Temer quanto a entrega do dinheiro teriam ocorrido em março. Rodrigo foi assessor especial da Presidência e assumiu recentemente o mandato na Câmara. Cuidava da agenda de Temer quando ele era vice-presidente.

Surreal

Além da mesada a Cunha, Joesley disse à Procuradoria-Geral da República que pagou R$ 5 milhões para Cunha após o peemedebista ter sido preso, no ano passado, e daria mais R$ 20 milhões referentes à tramitação de uma lei que beneficiaria a JBS.

Diferentemente de outras delações, no caso da JBS a Lava Jato promoveu “ações controladas”, em que a operação policial é adiada para que seja possível ter flagrantes. As malas e mochilas em que o dinheiro sujo era transportado foram equipadas com rastreadores. 

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