Migração de nordestinos à Capital será destaque no enredo da Sangue Jovem

A história do empresário e radiodifusor José de Abreu também será contada na avenida

26/01/2018 - 08:00 - Atualizado em 26/01/2018 - 12:08



A Sangue Jovem, quarta escola de samba a desfilar em Santos pelo Grupo Especial, no próximo dia 3 de fevereiro, fará uma homenagem ao povo nordestino, destacando a bravura de uma comunidade que precisou abandonar suas raízes, para tentar a sorte na Capital paulista. Com o enredo Em vida de viajante: A bravura cabra da peste na São Paulo de Nóis Tudim , a agremiação levará à avenida 1.200 componentes, divididos em 14 alas. 

Além da migração para São Paulo, durante a apresentação, a Sangue Jovem também contará a história do Centro de Tradições Nordestinas (CTN), concebido pelo empresário e radiodifusor José de Abreu, na Capital. O espaço, criado em 1991, é considerado um recanto de encontro da comunidade nordestina.


FICHA TÉCNICA 

Cores: branco, preto e dourado 
Títulos: 1 (Grupo Especial / 2006) 
Presidente: Wagner Castro
Direção de Carnaval: Lourival Dias
Carnavalesco: Michel Smith
Diretor de harmonia: Jeferson Geangiulio
Comissão de frente: Thamy Lopes 
Porta Bandeira: Janaína Fares 
Mestre sala: Rafael Gonzaga 
Componentes: 1,2 mil
Carros alegóricos: 3
Quadripe: 1
Bateria: 100 ritmistas 
Rainha da bateria: Pâmela Gomes 
Princesa-mirim: Kaillana Geangiulio 

“Vamos destacar um pouco da história desse povo. Muitos precisaram abandonar suas famílias para viver aqui na Capital. Falaremos ainda desse paulistano, que adotou o Nordeste no coração e conseguiu trazer um pouco desse cantinho para dentro de São Paulo”, comenta o presidente da escola de samba, Wagner Castro.

Apesar de muitos dos detalhes ainda serem mantidos a sete chaves, o diretor revela que um dos grandes destaques para a apresentação deste ano promete ser o balé da comissão de frente, coreografado por Thamy Lopes.

“A comissão de frente, já no ano passado, foi premiada como a melhor do Carnaval de Santos. Ela já carrega uma responsabilidade muito grande, mas acredito que irá surpreender o público na avenida, fazendo um trabalho muito melhor do que já fez no ano passado”.

Apesar deste ano contar com um número inferior de ritmistas à frente da bateria, Castro também está confiante de que o setor será um dos destaques do desfile.

No enredo, escola de samba destacará bravura dos migrantes nordestinos (Foto: Vanessa Rodrigues/AT)

“Ano passado saímos com 150, mas esse ano, devido a todo esse processo de diminuição do Carnaval, tivemos que reduzir custos”. Mudanças no roteiro A escola planejava levar à avenida 16 alas. Mas, diante de um orçamento mais enxuto, optou por readequar o enredo. 

“A gente costuma falar que a conta não fecha e ela não fecha mesmo. Mas, mesmo diante da nossa dificuldade, o povo santista vai se surpreender com a Sangue Jovem. A escola fará este ano um desfile muito coeso e criativo”. 

E para driblar as dificuldades orçamentárias, a criatividade, mais do que nunca, precisa imperar. Wagner Castro conta que, assim como já ocorre em escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo, parte do material utilizado em outros desfiles precisou ser reaproveitado.

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“A Sangue Jovem precisou tomar esse caminho. Tentamos aproveitar tudo que a gente tem, colocando um pouco de criatividade nas peças, para que possamos fazer algo inédito. É uma forma de baratear os custos”, justifica Castro, que se diz honrado em representar a escola de samba, nascida nas arquibancadas de concreto do Santos Futebol Clube.

“A gente está acostumado a sofrer na derrota e mexemos com a paixão. É uma escola que para ganhar mostra muita garra. Isso já nos diferencia. Ainda somos uma escola de samba nova e temos muito que  aprender, mas aqui todo mundo se doa de verdade. É uma entidade muito forte. Quando nos juntamos procuramos sempre fazer o melhor possível”, completa o presidente.
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